A força feminina ecoou em cada canto da CAIXA Cultural Brasília durante a edição 2026 do Festival Divas do Samba. Mais do que um evento musical, o festival se consolidou como um importante movimento cultural de valorização das mulheres dentro e fora dos palcos, reunindo arte, memória, formação profissional, empreendedorismo e acessibilidade em uma programação gratuita que emocionou o público brasiliense.
Durante os dias 2 e 3 de maio, mais de mil pessoas passaram pelo espaço para celebrar o samba em sua essência mais ancestral, coletiva e feminina. Com o tema “Antes da palma da mão, a memória já se construía no chão”, o festival propôs uma experiência marcada pelo encontro, pela resistência cultural e pelo reconhecimento das mulheres que ajudaram — e continuam ajudando — a construir a história do samba brasileiro.
O samba tem voz, história e alma feminina
Ao longo de décadas, mulheres foram fundamentais para manter viva a tradição do samba, muitas vezes enfrentando invisibilidade dentro de um cenário historicamente dominado por homens. O Divas do Samba surge justamente como um espaço de reconhecimento, pertencimento e protagonismo.
No palco, o público acompanhou apresentações marcantes de artistas e coletivos que representam diferentes gerações e linguagens do samba contemporâneo. Entre os destaques estiveram o Coletivo das Yás, Sambadona com participação de Marina Iris, SaiaBamba ao lado de Dhi Ribeiro e as tradicionais Sambadeiras de Roda.
Mas o festival foi além da música. As rodas de conversa ampliaram o debate sobre memória, ancestralidade, mercado cultural e os desafios enfrentados pelas mulheres no universo do samba.
“A roda de conversa foi tão importante quanto o palco”, destacou Dhi Ribeiro. “Falar sobre a importância das mulheres no samba é garantir que essas histórias não se percam.”
Cultura, formação e mercado criativo caminhando juntos
Um dos diferenciais do Divas do Samba foi a preocupação em fortalecer a presença feminina também nos bastidores da cultura. A Oficina Técnica Ilumina Petrobras, voltada exclusivamente para mulheres cis e trans, recebeu 85 inscrições e abriu espaço para formação em áreas técnicas do entretenimento — segmentos ainda predominantemente masculinos.
A iniciativa reforça uma discussão cada vez mais necessária no setor cultural: a ampliação da participação feminina não apenas na arte, mas também nos espaços de decisão, produção e operação técnica.
Segundo Ellen Oliveira, o compromisso do festival vai além das apresentações artísticas.
“Mais do que ocupar o palco, queremos fortalecer a presença feminina também nos espaços de construção da cultura.”
E os números refletem esse compromisso: nesta edição, 87% da equipe do festival foi formada por mulheres, incluindo produção, comunicação, coordenação e áreas técnicas.
Empreendedorismo feminino ganha espaço no festival
Outro destaque foi a feira de empreendedorismo feminino, que reuniu dez marcas lideradas por mulheres do Distrito Federal. Moda autoral, artesanato, afrodesign e produtos criativos fizeram parte da programação, fortalecendo a economia criativa local e ampliando a geração de renda para empreendedoras da capital.
A integração entre cultura e empreendedorismo mostrou que festivais também podem ser ferramentas de transformação social e econômica, criando oportunidades reais para mulheres em diferentes áreas de atuação.
Inclusão e acessibilidade como prioridade
O Divas do Samba também chamou atenção pelas ações de inclusão e acessibilidade. O festival contou com intérprete de Libras, audiodescrição ao vivo, kits sensoriais, equipe especializada para atendimento de pessoas com deficiência visual e o Espaço Acolher, ambiente voltado à autorregulação de participantes neurodivergentes.
A proposta reforça um novo olhar sobre os grandes eventos culturais: mais democráticos, acessíveis e preparados para receber diferentes públicos com respeito e acolhimento.
Brasília fortalece seu cenário cultural
Em sua quinta edição, o Divas do Samba reafirma a força de Brasília como um importante polo de cultura, diversidade e produção artística no país. O festival mostra que a capital federal vai muito além dos prédios monumentais e da política: é também território de resistência cultural, criatividade e transformação social.
Apresentado pelo Ministério da Cultura, CAIXA Cultural e Petrobras, o projeto reforça a importância do investimento em iniciativas que unem arte, inclusão, formação e representatividade.
Porque no samba — assim como na cultura brasileira — as mulheres nunca estiveram apenas assistindo. Elas sempre estiveram conduzindo o ritmo da história.



