Medida começa nesta quinta-feira (20), terá duração de 90 dias e permitirá a circulação de táxis entre Santa Maria, Gama e Park Way; objetivo é avaliar impactos sobre trânsito, segurança e operação do transporte coletivo
Uma mudança experimental promete alterar a rotina de circulação dos taxistas que atuam no Distrito Federal. A partir desta quinta-feira (20), os táxis poderão utilizar o Corredor Exclusivo do BRT Sul, em toda a extensão do trecho que atende Santa Maria, Gama e Park Way.
A autorização terá validade inicial de 90 dias, até 20 de novembro de 2026. A proposta é testar, na prática, como será a convivência entre os táxis e os ônibus do sistema BRT, que utilizam exclusivamente o corredor desde a inauguração, em 2014.
A medida pode representar uma mudança importante para os profissionais do transporte individual, especialmente porque permite utilizar uma infraestrutura criada para garantir maior fluidez ao transporte coletivo. Ao mesmo tempo, a autorização vem acompanhada de regras rigorosas para evitar que a presença dos táxis prejudique a operação dos ônibus.
Uma autorização que será colocada à prova
A circulação dos táxis não será liberada de forma definitiva neste primeiro momento. Os 90 dias funcionarão como um período de avaliação técnica e operacional.
Durante esse intervalo, serão analisados fatores como:
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segurança viária;
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tempo de deslocamento dos ônibus do BRT;
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regularidade e pontualidade das linhas;
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capacidade e fluidez do corredor;
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consumo de combustível;
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comportamento do trânsito no entorno das estações.
Ao final do período experimental, os resultados deverão ajudar a definir se a autorização será mantida de forma permanente ou encerrada.
A experiência, portanto, coloca uma questão central para a mobilidade do DF: é possível ampliar o acesso à infraestrutura exclusiva sem comprometer a velocidade e a eficiência do transporte coletivo?
Táxi com passageiro poderá usar o corredor em qualquer horário
Uma das principais regras estabelecidas diferencia o táxi que está transportando um passageiro daquele que está circulando vazio.
Com passageiro: o táxi poderá utilizar o corredor em qualquer dia e horário.
Sem passageiro: a circulação será permitida somente entre 22h e 5h, todos os dias da semana.
A regra busca equilibrar o interesse dos taxistas com a prioridade operacional do BRT nos períodos de maior movimentação.
Corredor não poderá ser usado para embarque e desembarque
A autorização não significa que o táxi poderá parar livremente no corredor.
Os veículos deverão utilizar a faixa exclusiva somente como via de passagem, sem realizar paradas intermediárias.
Também está proibido:
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parar nos terminais;
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parar nas estações;
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parar nos pátios;
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embarcar passageiros no corredor;
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desembarcar passageiros no corredor;
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circular pelas vias internas dos terminais de Santa Maria, Gama e Park Way.
Quem estiver utilizando o serviço de táxi deverá embarcar ou desembarcar antes da entrada ou depois da saída do corredor exclusivo.
A medida é especialmente importante para evitar que uma parada de poucos minutos provoque retenções justamente em uma infraestrutura criada para garantir a circulação rápida dos ônibus.
Limite de velocidade será de 60 km/h
Os taxistas também terão de respeitar limites específicos de velocidade.
No corredor, a velocidade máxima será de 60 km/h. Ao passar pelas estações, o limite cai para 30 km/h.
As ultrapassagens somente poderão ocorrer nos trechos das estações onde existe recuo e também deverão respeitar o limite de 30 km/h.
E se o táxi quebrar?
A orientação também prevê situações de pane mecânica ou acidente.
Os veículos deverão estar em boas condições de manutenção. Caso ocorra uma quebra, pane ou acidente, o motorista deverá agir imediatamente para desobstruir o corredor, evitando impactos na circulação dos ônibus.
A preocupação é direta: uma ocorrência dentro de uma faixa exclusiva pode comprometer toda a operação do BRT.
Fiscalização poderá suspender autorização
O descumprimento das regras poderá gerar penalidades para os motoristas de táxi, incluindo a suspensão da autorização para circular no corredor exclusivo.
A fiscalização será, portanto, um dos elementos importantes para determinar se o modelo experimental funciona.
Mais do que simplesmente permitir que os táxis utilizem uma nova rota, o período de testes servirá para verificar se os motoristas conseguem utilizar o espaço respeitando a prioridade do transporte coletivo.
Uma nova alternativa para os taxistas do DF
Para a categoria, a medida abre uma possibilidade de deslocamento mais rápido entre regiões atendidas pelo BRT Sul, especialmente quando o táxi estiver transportando passageiros.
O corredor conecta Gama e Santa Maria ao Plano Piloto, passando pela região do Park Way, e atende diariamente dezenas de milhares de passageiros.
A utilização compartilhada, entretanto, exigirá mudança de comportamento dos motoristas. O corredor não poderá ser tratado como uma via convencional, principalmente porque qualquer parada ou circulação inadequada pode interferir diretamente no funcionamento do sistema coletivo.
O teste poderá definir o futuro da medida
A experiência que começa nesta quinta-feira coloca os taxistas no centro de uma discussão maior sobre a mobilidade do Distrito Federal: como aproveitar melhor a infraestrutura existente sem retirar a prioridade do transporte público coletivo?
Os 90 dias deverão fornecer dados para responder a essa questão.
Se a convivência demonstrar ganhos para os deslocamentos sem comprometer a operação do BRT, a autorização poderá avançar para um modelo permanente. Caso sejam identificados problemas relevantes de segurança, fluidez ou desempenho, a medida poderá ser revista.
Por enquanto, a regra é experimental — e o comportamento dos motoristas será parte fundamental desse teste.
Por Rodrigo Albquerque




