Da vice-governadoria ao comando do DF: a trajetória de Celina Leão dentro da gestão do Distrito Federal

Por: Redação SOS

Após três anos como vice-governadora, Celina Leão assumiu o Governo do Distrito Federal em março de 2026 e passou a conduzir uma administração que mantém projetos iniciados na gestão de Ibaneis Rocha, mas também começa a incorporar novas prioridades

A trajetória de Celina Leão no Governo do Distrito Federal ganhou uma nova dimensão em março deste ano. Depois de três anos como vice-governadora, ela assumiu definitivamente o comando do Palácio do Buriti após a renúncia de Ibaneis Rocha, que deixou o cargo para cumprir as exigências de desincompatibilização previstas na legislação eleitoral.

A mudança não significou uma ruptura administrativa. Na cerimônia de posse, Celina definiu seu governo como uma evolução da gestão iniciada por Ibaneis, destacando sua experiência acumulada dentro da administração e sua participação nas ações realizadas ao longo dos anos anteriores.

A passagem de vice para governadora também permite olhar para uma característica particular de sua trajetória: embora o cargo de vice-governadora não concentre a autoridade administrativa do chefe do Executivo, Celina ocupou diferentes espaços de atuação dentro do governo e, em diversas ocasiões, assumiu interinamente o comando do Distrito Federal.

Uma vice com atuação em diferentes áreas

A relação de Celina com a administração pública do DF começou antes da vice-governadoria. Em 2021, ela foi convidada por Ibaneis para comandar a Secretaria de Esporte. Segundo registro da Câmara Legislativa, naquele período foram estruturados programas como Educador Esportivo Voluntário, Vestindo o Esporte, Esporte nas Ruas e Calçando o Esporte.

Em 2022, Celina integrou a chapa de Ibaneis e foi eleita vice-governadora. A partir de 2023, passou a participar de agendas relacionadas a diferentes áreas da administração, incluindo obras, saúde, educação, segurança, esporte e políticas sociais.

Na educação, por exemplo, participou do acompanhamento de projetos de expansão da rede pública. Em 2023, esteve no lançamento da primeira creche pública do Riacho Fundo, projetada para atender aproximadamente 188 crianças de até três anos em período integral.

Na infraestrutura urbana, também esteve presente em projetos de mobilidade e urbanização. Um dos exemplos é o acompanhamento de intervenções no Sol Nascente e no Pôr do Sol, regiões que receberam um pacote de investimentos anunciado pelo GDF para pavimentação, drenagem, calçadas, ciclovias e urbanização.

Saúde, segurança e qualificação profissional

A atuação de Celina como governadora em exercício também passou pela área da saúde.

Em janeiro de 2025, durante uma visita ao Hospital Regional de Taguatinga, ela acompanhou reformas na ala de cardiologia e na cozinha da unidade. O investimento informado pelo GDF ultrapassou R$ 1,1 milhão. Na ocasião, o governo informou que o tempo de espera para cateterismo havia caído de quase 50 dias para três a cinco dias.

Outro resultado apresentado pelo governo foi o desempenho do programa Saúde Mais Perto do Cidadão. Em 2024, a Tenda+ realizou 57.694 procedimentos gratuitos em regiões como Riacho Fundo e Sol Nascente.

Na segurança pública, Celina participou da formação de 1.234 novos praças da Polícia Militar do Distrito Federal em maio de 2025. Segundo o GDF, tratava-se da maior turma formada pela PMDF até então.

A agenda social e de trabalho também ganhou iniciativas durante o período. O RenovaDF previa aproximadamente 6 mil alunos capacitados em 2025, enquanto o Pró-Jovem Digital foi lançado com mais de 4 mil vagas para jovens de 15 a 29 anos em situação de vulnerabilidade, com investimento anunciado de R$ 7,9 milhões.

Do papel de vice ao comando do Buriti

A mudança de posição ocorreu em 30 de março de 2026. Ibaneis Rocha renunciou ao cargo e Celina assumiu o Governo do Distrito Federal para completar o mandato.

Na posse, Celina afirmou que pretendia manter obras e políticas em andamento, mas também estabeleceu algumas prioridades próprias, entre elas a redução da burocracia para o setor produtivo, atenção às populações vulneráveis e políticas de proteção às mulheres.

Nos meses seguintes, algumas dessas prioridades começaram a aparecer em atos do Executivo. Em julho, por exemplo, o governo instituiu a Rede de Apoio às Mães Atípicas e criou o Plano Distrital de Combate à Violência e de Proteção à Mulher, com planejamento de dez anos para a área.

A gestão também passou a enfrentar um dos maiores desafios administrativos e financeiros do período: a crise envolvendo o Banco de Brasília.

O caso BRB–Master e a posição de Celina

A investigação sobre as operações envolvendo BRB e Banco Master é conduzida no âmbito do Inquérito 5026, sob relatoria do Supremo Tribunal Federal. O tribunal informa que a apuração trata de suspeitas de irregularidades na tentativa de aquisição de ativos do Master pelo BRB.

Os fatos investigados incluem operações realizadas antes da posse de Celina como governadora. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que comandou o banco durante parte do período investigado, tornou-se um dos principais alvos da apuração e teve a prisão preventiva mantida pelo STF.

Celina declarou publicamente que não participou nem foi consultada sobre as decisões relativas à compra do Banco Master.

A questão, entretanto, permanece no campo das investigações e das versões apresentadas pelos envolvidos. Em setembro de 2026, reportagem da Folha de S.Paulo apresentou alegações de Daniel Vorcaro de que Celina teria participado das negociações. A governadora negou a afirmação e sustentou que havia se posicionado contra a operação.

Por isso, o episódio deve ser tratado com a distinção entre fato comprovado, investigação em andamento e alegações das partes. O cargo de vice-governadora, por si só, não constitui prova de participação em qualquer irregularidade investigada.

Uma nova etapa para o governo

Ao assumir o Palácio do Buriti, Celina passou de uma posição de participação e acompanhamento para a responsabilidade direta pelas decisões do Executivo.

Essa mudança permite observar duas dimensões de sua administração: a continuidade de projetos estruturantes iniciados anteriormente e a introdução de novas ações nas áreas social, de proteção às mulheres, qualificação profissional e gestão.

Na prática, o período iniciado em março de 2026 colocou Celina diante de uma tarefa diferente daquela exercida como vice: administrar diretamente o orçamento, as prioridades do Executivo e os desafios políticos e econômicos do Distrito Federal.

A comparação entre as duas fases — primeiro como integrante da chapa e vice-governadora, depois como chefe do Executivo — oferece um retrato mais completo de sua trajetória administrativa e permite ao cidadão avaliar, a partir de dados e resultados documentados, o que foi continuidade e o que passou a representar uma marca própria de sua gestão.

 

Por Rodrigo Albuquerque

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