Disputa pelo voto de Arruda põe campanhas do DF diante de escolhas diferentes na reta final

Por: Redação SOS
foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Com o registro do ex-governador indeferido pelo TSE, candidaturas buscam diálogo com seus antigos apoiadores; aproximação política não equivale a endosso nem garante transferência de votos.

A saída de José Roberto Arruda (PSD) da disputa pelo Governo do Distrito Federal abriu uma nova frente de campanha a oito dias do primeiro turno. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve na quinta-feira (24) o indeferimento do registro do ex-governador. Desde então, concorrentes ao Palácio do Buriti tentam falar com um eleitorado que havia considerado votar nele. A decisão de cada eleitor, porém, continua em aberto.

O tamanho desse grupo ajuda a explicar a movimentação: no levantamento Correio/Opinião Inteligência Política divulgado nesta semana, Arruda aparecia com 20,6% das intenções de voto no cenário pesquisado. Esse percentual descreve uma fotografia colhida antes de a disputa se reorganizar. Não é uma projeção de quantos votos irão para qualquer outro candidato, nem deve ser somado automaticamente ao desempenho de uma chapa.

As estratégias variam. Celina Leão (PP) declarou ao Correio Braziliense que pretende apresentar o trabalho de sua gestão e as propostas para os próximos quatro anos, sem tratar os antigos apoiadores de Arruda como votos que possam ser repassados em bloco. Leandro Grass (PT), por sua vez, busca reunir eleitores de oposição ao atual governo. Sua coordenação confirmou conversas políticas e reconheceu que um eventual gesto do ex-governador poderia pesar na eleição, mas isso não é o mesmo que um apoio anunciado.

Paula Belmonte (PSDB) diz que pretende buscar o apoio de Arruda e ampliar a presença nas ruas, com atenção a propostas para as cidades, incluindo um segundo hospital em Ceilândia. Kiko Caputo (Novo) informa que mantém conversas para uma aliança e tenta aproximar sua campanha de temas associados ao ex-governador, como expansão do metrô e hospitais. Até o quadro relatado pelo Correio neste sábado, intenção de negociar e negociação em curso não autorizam afirmar que Arruda tenha fechado apoio a nenhuma dessas candidaturas.

Ricardo Cappelli (PSB) aposta na possibilidade de atrair eleitores que rejeitam tanto a atual gestão quanto o PT. Samara Mineiro (UP) também vê espaço entre os que querem mudança, mas descarta aproximação com o grupo de Arruda. Professor Robson (PSTU) disse que não mudará o programa para tentar herdar esse eleitorado. Outras chapas, como as de Elisson Ferreira (Agir) e Rico Pinheiro (PRTB), também falaram em diálogo com antigos apoiadores, segundo o jornal.

A disputa não se reduz à afinidade ideológica. Parte dos eleitores pode priorizar oposição ao governo; outra parte pode procurar uma candidatura com propostas semelhantes às de Arruda para transporte, saúde ou obras nas regiões administrativas. Há ainda quem mude de preferência por cálculo de viabilidade eleitoral ou simplesmente não tenha decidido. São possibilidades políticas, não resultados medidos após o julgamento.

A poucos dias da votação de 4 de outubro, gestos públicos, conversas entre campanhas e atividades de rua podem alterar o cenário rapidamente. Por isso, qualquer notícia sobre aliança precisa identificar quem a anunciou e distinguir uma declaração de interesse de um acordo efetivo. O voto permanece uma escolha do eleitor, não um patrimônio transferível entre candidatos.

 

Por Rodrigo Albuquerque

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