Apuração em Israel aponta eleição sem maioria, e Netanyahu segue interino até fechamento

Por: Redação SOS

A contagem dos votos da eleição parlamentar de Israel seguia em andamento nesta quinta-feira, 29 de outubro, e as projeções com mais de 90% das urnas apuradas indicam que nenhum bloco alcançou sozinho a maioria das 120 cadeiras do Parlamento. Até a apuração final e a conclusão das negociações de coalizão, Benjamin Netanyahu permanece como primeiro-ministro interino.

Segundo as projeções das três principais emissoras do país, o bloco de direita de Netanyahu ficaria com 53 cadeiras, à frente das 48 do bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot. Os partidos árabes devem ficar com 19 assentos, um número sem precedentes. A contagem dos votos de eleitores que votaram fora de suas seções continuava nesta quinta, e os resultados ainda podem mudar.

Em discurso a apoiadores do partido Likud, Netanyahu pediu a formação de “um governo nacional forte e de direita” e voltou a levantar a possibilidade de uma nova ação militar conjunta com os Estados Unidos contra o Irã. O presidente americano, Donald Trump, que havia pedido aos eleitores israelenses que mantivessem Netanyahu no poder para que os dois “concluíssem o trabalho” no Irã, disse que o premiê se saiu “muito bem”.

Eisenkot reconheceu que Netanyahu continua interino, mas alertou que ele não tem mandato nem a confiança do povo e pediu às forças de segurança que se mantenham firmes diante de tentativas de usá-las politicamente. Especialistas afirmam que um governo interino mantém formalmente os mesmos poderes de um governo regular, inclusive sobre a guerra com o Irã, embora com um “dever de moderação”. Sem maioria, a formação de governo dependerá de negociações de coalizão, e uma nova eleição no ano que vem não está descartada.

A perspectiva de um governo sem maioria parlamentar pesou sobre os mercados: o shekel se desvalorizou cerca de 1,6% e os principais índices da bolsa de Tel Aviv caíram mais de 3%.

Foi a primeira eleição em Israel desde os ataques de 7 de outubro de 2023, que mergulharam o país em guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.

Por Redação SOS Brasília – Rodrigo Albuquerque

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