Acusados de matar padre Casemiro, no DF, vão responder também por corrupção de menores

Os três suspeitos do assassinato do padre Kazimierz Wojn, de 71 anos — Foto: Brenda Ortiz/G1

Três homens estão presos desde setembro do ano passado por latrocínio. Justiça diz haver ‘indícios concretos’ de participação de jovem de 17 anos.

Por Gabriel Luiz, TV Globo

Os três suspeitos do assassinato do padre Kazimierz Wojn, de 71 anos — Foto: Brenda Ortiz/G1

Os três suspeitos do assassinato do padre Kazimierz Wojn, de 71 anos — Foto: Brenda Ortiz/G1

Os três acusados de matar o padre Casemiro, de 71 anos, em uma casa paroquial no Distrito Federal, também vão responder por corrupção de menores, porque teriam contado com a ajuda de adolescente de 17 anos. O crime ocorreu em setembro do ano passado, na Asa Norte (relembre abaixo).

Alessandro de Anchieta Silva, de 19 anos, Antônio Willyan Almeida Santos, de 32 anos, e Daniel Souza da Cruz, de 29 anos, estão presos há cinco meses e foram considerados réus por latrocínio – roubo seguido de morte.

Em outubro, a prisão temporária do trio foi convertida em preventiva (por tempo indeterminado). Agora, com a decisão da Justiça de atribuir um outro crime aos réus, a pena prevista aos acusados deve aumentar em 1 até 4 anos de reclusão.

Padre é morto durante assalto em Brasília — Foto: Afonso Ferreira/G1

Padre é morto durante assalto em Brasília — Foto: Afonso Ferreira/G1

‘Indícios concretos’

A decisão de atribuir o crime de corrupção de menores aos acusados foi divulgada nesta quinta-feira (6) após o juiz Fernando Brandini Barbagalo, à frente do processo, aceitar a denúncia do Ministério Público.

Depois de ouvir os policiais que participaram da ocorrência, o magistrado entendeu que há “indícios concretos” de que os três réus contaram com a participação de um jovem que era menor de idade na época. Segundo a Polícia Civil, ele confessou ter amarrado os pés e as mãos da vítima.

O adolescente foi o último a ser localizado pela polícia e acabou preso em dezembro do ano passado em Luziânia, Goiás – dois meses após o crime, quando já tinha completado 18 anos.

Relembre o caso

Padre Kazimerz Wojn foi fiscalizar obra que acontece no terreno da igreja quando foi morto em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

Padre Kazimerz Wojn foi fiscalizar obra que acontece no terreno da igreja quando foi morto em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

O crime ocorreu no dia 21 de setembro de 2019 na igreja Nossa Senhora da Saúde, na 702 Norte. Kazimerz Wojn (nome de registro do padre) foi rendido pouco após a missa, por volta das 19h, quando estava fiscalizando uma obra no terreno.

Além de Casemiro, o funcionário que cuidava da construção de um auditório disse aos policiais militares que também foi agredido e feito refém, mas que conseguiu gritar e pedir socorro.

O sacerdote foi encontrado morto com os pés e as mãos amarrados, e com um arame enrolado ao pescoço. Kazimerz era polonês e tinha 46 anos de sacerdócio.

Religiosos carregaram o caixão com o corpo do padre Casemiro, 71 anos, morto durante um assalto, em Brasília — Foto: Brenda Ortiz/ G1

Religiosos carregaram o caixão com o corpo do padre Casemiro, 71 anos, morto durante um assalto, em Brasília — Foto: Brenda Ortiz/ G1

Segundo as investigações, os criminosos passaram cerca de 3 horas na igreja e levaram dinheiro, moedas de ouro, cheques, eletroeletrônicos e garrafas de bebida. Para ir embora, eles pularam o muro e fugiram em ônibus

Vídeo mostra ação de suspeitos pela morte do padre casemiro, em Brasília

Quem era o padre Casemiro?

Kazimerz Wojn nasceu na Polônia, mas morava no Brasil desde a década de 1980. Aqui, ficou conhecido pelos fiéis como Padre Casemiro.

Segundo a Arquidiocese de Brasília, o sacerdote era, frequentemente, visto com uma câmera fotográfica na mão, porque gostava de fotografar as celebrações e distribuir as imagens entre amigos.

Todas as quartas-feiras, ele celebrava missas para pacientes e servidores no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Padre Casemiro costumava tirar fotos das celebrações na Paróquia Nossa Senhora da Saúde  — Foto: Divulgação/Pascom Brasilia

Padre Casemiro costumava tirar fotos das celebrações na Paróquia Nossa Senhora da Saúde — Foto: Divulgação/Pascom Brasilia

Nos últimos anos, o padre superou um câncer de próstata e viu a violência rondar sua rotina. Em abril, no domingo de Páscoa, bandidos roubaram o sacrário da igreja, avaliado em R$ 20 mil.

Uma semana antes do assalto que tirou a vida do padre, uma motosserra foi levada da obra da igreja. Na última missa que celebrou, o sacerdote falou sobre violência durante o sermão.

Fonte: G1/DF

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