Governo do DF chegou a afirmar, inicialmente, que contava com R$ 80 milhões em emendas parlamentares para a obra. No entanto, R$ 12 milhões sairão do orçamento da capital e o restante, de emendas
O governo do Distrito Federal informou, nesta quinta-feira (14), que a construção do Museu Nacional da Bíblia, em Brasília, terá um orçamento de R$ 26 milhões. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa será a pasta responsável pela licitação da obra.
De acordo com o GDF, R$ 14 milhões serão custeados por meio de emendas parlamentares de deputados federais e o restante sairá dos cofres da capital. A destinação dos recursos para a obra, reivindicada por políticos da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, é alvo de críticas por entidades laicas.
A composição do orçamento, divulgada nesta quinta, é diferente da que foi anunciada inicialmente. Em dezembro de 2019, o GDF informou que a obra contava com R$ 80 milhões em emendas parlamentares de deputados federais.
Construção
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Segundo o Executivo local, o museu deve ser erguido em lote público de 7,5 mil metros quadrados, nas proximidades da Estrada Parque Indústrias e Abastecimento (Epia) e da antiga Rodoferroviária de Brasília, na ponta do Eixo Monumental.
Nesta semana, o GDF criou uma comissão para escolher o projeto arquitetônico para o Museu da Bíblia. O coordenador do grupo será o secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues. O resultado do concurso está previsto para 23 de março.
Antes disso, o governo local chegou a anunciar que a obra contaria com projeto de Oscar Niemeyer. No entanto, a fundação que representa o arquiteto declarou que não reconhece o desenho como sendo dele.
Polêmica na Justiça
O Conselho de Cultura do DF também vai debater o projeto no dia 26 de janeiro. O presidente do colegiado, Wellington Abreu, critica a prioridade da obra em detrimento de outras que estão paradas na capital.
“Por que a gente não consegue recursos para o Distrito Federal, para finalizar o Teatro Nacional de uma vez por todas? Para entregar o Cine Itapoã no Gama, o teatro de Sobradinho, o Centro Cultural de Ceilândia, que já se arrasta há longos anos?”, questiona.

Já o secretário de Cultura defende a proposta. “Antes de tudo, o projeto nasce dentro dos padrões museológicos mais rigorosos. Não se está pretendendo erguer um templo de fé e de orações”, disse Bartolomeu Rodrigues.
A polêmica chegou à Justiça no ano passado. A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) ingressou com uma ação para impedir a construção do museu, alegando que a medida “constitui afronta à liberdade religiosa e à laicidade do Estado”, pelo uso do espaço e dinheiro público.
O GDF, por sua vez, argumentou que, além o projeto ainda estava em fase inicial. Disse ainda que “o museu não seria um templo religioso”, que a Bíblia é patrimônio histórico da humanidade, e que a “laicidade do Estado não significa que deva ser ignorado o reflexo cultural do livro mais influente da sociedade brasileira”.
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O pedido da Atea foi negado pelo juiz Paulo Afonso Cavichioli Carmona. Para ele, a situação apontada na ação não indica que o projeto deve ser suspenso.
Fonte: G1/DF – Repórter: Carolina Cruz



