Número caiu de 146 para 124 ocorrências fatais na comparação com o mesmo período do ano passado, mas excesso de velocidade segue como campeão de infrações, com quase 900 mil multas só no primeiro semestre
O Distrito Federal chega ao Dia Nacional do Trânsito, celebrado nesta sexta-feira (25/9), com um dado para comemorar com cautela: foram 124 sinistros fatais entre janeiro e julho de 2026, contra 146 no mesmo período de 2025 – uma queda de cerca de 15%. Em todo o ano passado, segundo o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), foram 258 ocorrências com vítimas fatais.
A data foi instituída em referência ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), regulamentado em 23 de setembro de 1997 e promulgado dois dias depois. Quase três décadas depois, a segurança viária continua sendo um dos principais desafios da capital, especialmente para quem se desloca diariamente entre as regiões administrativas e o Plano Piloto.
Os principais fatores de risco apontados pelo Detran-DF seguem sendo distração ao volante, consumo de álcool e, acima de tudo, excesso de velocidade. Os números mostram o tamanho do problema: em 2025, foram quase 2 milhões de flagrantes de velocidade acima do permitido (1.994.830 registros). Só entre janeiro e junho deste ano, já somam 893.950 infrações do tipo. A lista de autuações de 2025 inclui ainda 278.261 flagrantes por circulação em faixas exclusivas e 222.658 por estacionamento irregular.
O mapa do risco também é conhecido. Em 2025, a DF-001 concentrou o maior número de sinistros fatais entre as vias informadas pelo Detran-DF, com 17 registros, seguida pela BR-020, com 11, e pela BR-060, com 10. Ciclistas apontam ainda Eixão, EPTG, Estrutural, EPNB, BR-070 e Parque Contorno como trechos perigosos, onde a alta velocidade se combina com a falta de estrutura cicloviária e obriga a bicicleta a dividir espaço com os carros.
Para especialistas em mobilidade, porém, olhar apenas para o comportamento individual dos motoristas não basta. O urbanista Paique Santarém, doutor em Arquitetura e Urbanismo, defende que a segurança passa pelo desenho da cidade: redução de velocidade, ciclovias que de fato liguem as regiões administrativas, melhor infraestrutura para pedestres – incluindo rampas e mais passarelas – e investimento em transporte coletivo. Pedestres de cidades como Samambaia e Ceilândia relatam justamente a escassez de faixas e as longas distâncias entre travessias.
O Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF) informa que investiu R$ 1,1 bilhão nas rodovias distritais entre 2019 e 2025. Desse total, R$ 525 milhões foram para infraestrutura viária, mobilidade, acessibilidade e segurança, e R$ 582,2 milhões para manutenção.
A queda nos sinistros fatais é bem-vinda, mas 124 mortes em sete meses significam, em média, uma família enlutada a cada dois dias no DF. O desafio lançado neste Dia Nacional do Trânsito é fazer de 2026 o ano em que a curva definitivamente dobra para baixo.
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SOS BRASÍLIA – 25 de setembro de 2026
Fontes: Detran-DF; DER-DF; apuração própria
Por Rodrigo Albuquerque




