Por Antonio Castelo Branco*
Das vezes que fui chamado de doutor, em nenhuma me pediram o diploma para confirmar, mesmo porque se pedissem, eu não teria.
Chamar alguém de doutor, era nada mais que não chamar de seu Zé. Entravamos no restaurante e o porteiro, com toda deferência, nos cumprimentava – “Boa noite Doutor”. Nada mais simpático e cordial. O guardador do carro, apresentava a vaga e dizia em voz alta – “pode vir, doutor. A vaga é boa”. E assim assumíamos a importância e a soberba. Doutor!!!
Tenho visto darem grande importância aos títulos em uma situação educacional que pouco estudo nos leva a ser doutor com quase nada a contribuir. Aqueles que não estudaram, recebem diplomas de Doutores Honoris causa, sem ao menos saberem o que significa a honraria.
Ladrões, escroques, corruptos, mentirosos e aqueles que imprimiram seus diplomas na internet, tratam os menos escolarizados com deboche e transformam os reais doutores, aqueles que entendem e conhecem suas funções, em reles mortais.
E os mecânicos, que nos salvam de dificuldades que sem seu atendimento pronto e eficaz, ficaríamos em grandes apuros, não merecem o título de doutores em suas atividades?
Os marceneiros, Eletricistas e muitos outros profissionais que desenvolvem suas teses na prática e não necessitam do diploma para ter excelência naquilo que fazem, não são doutores?
Quando jovem, me informaram que para ser doutor necessitaria de defender uma tese. Está certo, acho justo, mas quem vai julgar a tese do Elon Muske? E a do Bill Gates? E do seu João serralheiro?
A inteligência de alguns personagens de nossa história, me mostra o quão absurdo é a diplomação de alguém para o seu reconhecimento. Foram gerando, e cada vez mais, fontes de cobrança e seleção para que a concorrência fosse cada vez menor para o atingimento de melhores salários e mais vantagens públicas, sem que houvesse nenhuma prática que confirmasse o real conhecimento de quem tem a honraria.
Hoje, sobre o pretexto de melhor educação acadêmica, tem faculdade de tudo. Paga-se uma fortuna para aprender a cozinhar, administrar, costurar, fazer todas as coisas que eram ensinadas por pessoas que tinham a expertise naquilo que faziam e não tinham nenhum diploma.
Para dar aula, é preciso fazer um mestrado. Para melhorar no serviço público, um doutorado.
E vemos, cada vez mais, pessoas sem nenhuma capacidade técnica exercendo profissões que quanto mais genéricos fossem seus conhecimentos, mais benefícios a sociedade poderia ter.
Após a enxurrada de diplomas, surgem os conselhos. Creci, Cau, Creme, OAB e etc que movimentam fortunas como pretexto de fiscalizar o exercício das profissões. Para que? O erro cometido por um médico, administrador, engenheiro ou motorista, deve ser fiscalizado pela justiça comum, se necessário, com o acompanhamento de um perito e não necessariamente por um “doutor”.
Assim a sociedade vai excluindo, cada vez mais, os reais Doutores.
*Antonio Castelo Branco
Administrador e consultor de empresas. Julho 2020



