Investimentos financiarão estudos, desenvolvimento de tecnologias e criação de rede nacional voltada ao diagnóstico e tratamento de doenças que afetam milhões de mulheres
Da Redação
O governo federal anunciou um investimento de R$ 60 milhões para ampliar pesquisas científicas e desenvolver tecnologias voltadas ao diagnóstico e tratamento da endometriose, da dor pélvica crônica e de outras condições relacionadas à saúde menstrual. A iniciativa foi apresentada nesta terça-feira (9), em Brasília, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Instituto Alana.
Do total de recursos previstos, R$ 50 milhões serão destinados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o financiamento de editais de pesquisa e inovação voltados à saúde da mulher. Outros R$ 10 milhões serão investidos pelo Instituto Alana na criação de uma rede nacional de pesquisa especializada na área.
A medida busca ampliar o conhecimento científico sobre doenças que afetam milhões de brasileiras e que, muitas vezes, enfrentam desafios relacionados ao diagnóstico tardio e ao acesso ao tratamento adequado. A endometriose, por exemplo, atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, incluindo adolescentes.
Durante o anúncio, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que os investimentos representam uma resposta a um importante desafio de saúde pública.
Segundo especialistas, as causas da endometriose ainda não são totalmente conhecidas. As principais hipóteses apontam para fatores genéticos, hormonais, imunológicos e alterações relacionadas ao fluxo menstrual.
A CEO do Instituto Alana, Flavia Doria, ressaltou a importância da produção científica para ampliar o conhecimento sobre a doença e melhorar a assistência às pacientes. De acordo com ela, o diagnóstico precoce contribui para reduzir dores, evitar complicações e impedir a evolução para quadros crônicos.
Caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, a endometriose provoca processos inflamatórios que podem causar dores intensas, alterações menstruais e dificuldades para engravidar. Dados do Ministério da Saúde indicam que a prevalência da doença varia entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.
Presente no evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as pesquisas devem contribuir para ampliar o conhecimento sobre as condições que afetam a saúde feminina e fortalecer as políticas públicas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A expectativa do governo é que os novos estudos resultem em tecnologias, protocolos e estratégias capazes de aprimorar o diagnóstico precoce, qualificar o atendimento e ampliar o acesso das mulheres a tratamentos mais eficazes em todo o país.



