No DF, 45% das famílias recusam a doação de órgãos, agravando a fila de espera por transplantes

Por: Redação SOS

No primeiro semestre deste ano, a taxa de recusa no DF chegou a 46%, índice semelhante à média nacional, que é de 45%

Da Redação

No Distrito Federal, 1.744 pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão ou tecido, de acordo com dados do Painel de Transplantes da Secretaria de Saúde (SES/DF). Além de fatores como burocracia, logística e compatibilidade, a negativa das famílias tem se destacado como o principal obstáculo para o avanço dos procedimentos.

Alguns estados registram percentuais ainda maiores de rejeição, como Tocantins (79%), Goiás (72%), Amazonas (71%) e Mato Grosso (70%), segundo levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Ainda assim, o painel da SES/DF mostra que 631 transplantes já foram realizados em 2024 na capital. O Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF) lidera o número de intervenções, com 192 procedimentos concluídos.

O enfermeiro supervisor do Programa de Transplantes do ICTDF, Rafael Costa Filgueiras, explicou ao Jornal de Brasília que as razões para a recusa da doação vão além de crenças religiosas. Para ele, a forma como o paciente é atendido ao longo da internação influencia diretamente a decisão dos familiares. “A experiência da família dentro da rede interfere na possibilidade de doação”, afirma.

Rafael também destaca que as campanhas de conscientização deveriam ocorrer de maneira contínua — não apenas abordando a importância da doação, mas esclarecendo o próprio processo. “Muitas pessoas conhecem a relevância da doação, mas a desinformação sobre as etapas envolvidas ainda é determinante para a recusa”, explica.

Como funciona o processo de doação

Para que o processo seja iniciado, é necessário o diagnóstico de morte encefálica, confirmado por exames complementares. Depois disso, a família é comunicada sobre o falecimento e consultada sobre a doação. Com o consentimento, o potencial doador passa por uma avaliação clínica, uma auditoria é aberta e o caso é encaminhado à Central Estadual, responsável por oferecer os órgãos aos centros transplantadores do país.

A logística de transporte envolve diferentes órgãos, como a Força Aérea Brasileira, o Corpo de Bombeiros e o Detran, já que cada órgão possui um tempo de isquemia específico — período em que ele pode ficar sem irrigação sanguínea. Desde o início do programa, em 2007, o ICTDF já realizou mais de 2.800 procedimentos, consolidando-se como referência nacional.

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