Rede pública oferece atendimento para diferentes níveis de sofrimento psíquico; saber onde procurar ajuda pode fazer diferença em momentos de crise
O Setembro Amarelo reforça, todos os anos, uma mensagem que precisa permanecer durante os 12 meses: cuidar da saúde mental é cuidar da vida. Ansiedade, depressão, estresse intenso, sofrimento emocional e crises psiquiátricas podem atingir pessoas de diferentes idades e, diante desses sinais, buscar ajuda profissional é um passo importante.
No Distrito Federal, a rede pública de saúde oferece atendimento organizado de acordo com a idade, o tipo de demanda e a intensidade do sofrimento psíquico. O acompanhamento pode começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e, quando necessário, avançar para serviços especializados.
A rede reúne equipes multiprofissionais com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais, permitindo que o atendimento seja direcionado às necessidades de cada paciente.
A orientação é não esperar que o sofrimento se agrave para procurar ajuda.
UBS é a porta de entrada para muitos casos
Para situações de sofrimento emocional de intensidade leve a moderada, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são a principal porta de entrada da rede.
Ansiedade, sintomas depressivos e estresse estão entre as situações que podem ser acolhidas nesses serviços.
O atendimento contempla crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Uma das facilidades é que a pessoa pode procurar a UBS de referência de sua região por demanda espontânea, sem necessidade de agendamento prévio para o acolhimento inicial.
Caso a equipe identifique a necessidade de atendimento especializado, o próprio serviço poderá providenciar o encaminhamento.
Para descobrir qual é a UBS de referência, o cidadão pode consultar a ferramenta Busca Saúde UBS.
Crianças e adolescentes também precisam de atenção
O sofrimento emocional durante a infância e a adolescência merece atenção especial. Mudanças de comportamento, isolamento, dificuldades persistentes, alterações emocionais ou sofrimento que interfere na rotina podem ser sinais de que é necessário procurar ajuda.
Para casos moderados entre o público infantojuvenil, existem serviços especializados.
ComPP
O Centro de Orientação Médico-Psicopedagógica (ComPP) atende crianças de até 11 anos, 11 meses e 29 dias com transtornos mentais e sofrimento de intensidade moderada.
O acesso é regulado e ocorre mediante consulta e encaminhamento pela UBS.
Endereço: Setor Médico Hospitalar Norte (SMHN), Quadra 3, Conjunto 1, Bloco A.
Telefones: (61) 3449-4763 / (61) 98184-2216.
Adolescentro
O Adolescentro oferece atendimento multiprofissional para adolescentes de 12 a 17 anos, 11 meses e 29 dias, incluindo situações de sofrimento moderado e necessidades relacionadas ao desenvolvimento juvenil.
O acesso também é regulado por meio de encaminhamento da UBS.
Endereço: SGAS 605, Lotes 33/34.
Telefones: (61) 3449-4748 / (61) 99271-6800.
Quando o sofrimento é mais intenso
Nos casos de transtornos graves, persistentes ou crises psíquicas intensas entre crianças e adolescentes de até 17 anos, a referência são os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi).
Nessas unidades, o atendimento ocorre por demanda espontânea, sem necessidade de agendamento ou encaminhamento prévio, de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h.
O DF conta com quatro unidades:
Capsi Asa Norte: SMHN, Quadra 3, Conj. 1, Bloco A — (61) 3449-4754 / (61) 98184-2495.
Capsi Taguatinga: QNF, Área Especial nº 24, Taguatinga Norte — (61) 3449-6682 / (61) 99124-2067.
Capsi Recanto das Emas: Quadra 307, Área Especial 1 — (61) 3449-6903.
Capsi Sobradinho: Quadra 4, Área Especial, Lote 6 — (61) 3449-5643 / (61) 99444-1343.
Adultos podem procurar os Caps diretamente
Para adultos com transtornos mentais graves e persistentes, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) oferecem atendimento especializado.
O acesso ocorre por acolhimento direto e demanda espontânea.
Entre as unidades estão:
- Caps I Brazlândia: Quadra 01, Área Especial 02, Setor Veredas — (61) 2017-1300 / (61) 3449-6399. A unidade atende crianças, adolescentes e adultos.
- Caps II Brasília: SHCE/Sul, Quadra 1409, Lote 01, Cruzeiro Novo — (61) 3349-4755 / (61) 98184-2577.
- Caps II Taguatinga: QNA 39, Área Especial 19, Taguatinga Norte — (61) 3449-6680 / (61) 99294-0377.
- Caps II Paranoá: Quadra 02, Conjunto K, Área Especial nº 01 — (61) 3449-5317 / (61) 99103-0736.
- Caps II Planaltina: Via W/L 04, Setor Hospitalar Oeste — (61) 3449-5828.
- Caps II Riacho Fundo: EPNB, km 04, Área Especial — (61) 3449-5001 / (61) 3449-4998.
- Caps III Gama: SNO, Quadra 02, Ponte Alta Norte.
- Caps III Samambaia: Quadra 302, Conjunto 05, Lote 01 — (61) 3449-6906. A unidade funciona 24 horas.
Álcool e outras drogas também exigem cuidado
A rede pública possui ainda os Caps AD, voltados para pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.
O atendimento contempla adultos e jovens a partir de 16 anos, conforme o serviço.
Há unidades no Guará, Itapoã, Santa Maria, Sobradinho II, Brasília, Ceilândia e Samambaia. Algumas unidades Caps AD III funcionam 24 horas.
A existência desses serviços reforça que o tratamento não precisa ser enfrentado sozinho e que a busca por atendimento pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo de sofrimento.
Em uma crise, procure atendimento imediatamente
Existem situações em que não é necessário esperar por uma consulta ou encaminhamento.
Em casos de risco iminente de suicídio, tentativa de suicídio ou crise psiquiátrica grave, a orientação é procurar atendimento de emergência.
O Samu, pelo telefone 192, pode ser acionado em situações de emergência. UPAs e hospitais gerais também realizam acolhimento e estabilização de crises agudas.
No DF, o Hospital de Base e o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) são referências para urgências e emergências psiquiátricas especializadas.
Em uma situação de risco imediato, a prioridade é garantir a segurança da pessoa e buscar atendimento profissional o mais rapidamente possível.
SAMia ajuda a identificar o serviço adequado
Para quem não sabe exatamente qual serviço procurar, a rede pública também disponibiliza a SAMia, uma assistente virtual gratuita.
A ferramenta permite uma interação anônima e utiliza escalas validadas para auxiliar na identificação do serviço mais adequado para cada situação.
É uma alternativa para quem está com dúvidas sobre onde começar, mas não substitui o atendimento profissional, especialmente em situações de emergência.
Setembro Amarelo também é sobre pedir ajuda
Falar sobre saúde mental não significa necessariamente falar apenas sobre doenças. Significa também reconhecer limites, perceber mudanças de comportamento, acolher quem está sofrendo e compreender que procurar ajuda profissional não é sinal de fraqueza.
Muitas vezes, o primeiro passo pode ser uma conversa com alguém de confiança. Em seguida, a pessoa pode procurar uma UBS ou outro serviço da rede pública.
E quando houver uma situação de emergência, não se deve esperar: é preciso procurar atendimento imediatamente.
O Setembro Amarelo amplia a visibilidade do tema, mas o cuidado precisa continuar depois que setembro terminar. Afinal, saúde mental é parte da saúde integral e merece atenção durante todo o ano.
SERVIÇO — ONDE PROCURAR AJUDA
UBS: porta de entrada para casos leves e moderados e orientação inicial para diferentes faixas etárias.
Caps: atendimento especializado para transtornos mentais graves e persistentes.
Capsi: atendimento especializado para crianças e adolescentes em situações graves ou crises intensas.
Caps AD: atendimento relacionado ao uso de álcool e outras drogas.
Samu — 192: situações de emergência e risco iminente.
UPAs e hospitais: atendimento contínuo para estabilização de crises agudas.
Hospital de Base e Hospital São Vicente de Paulo: referências para urgências e emergências psiquiátricas especializadas.
SAMia: ferramenta virtual gratuita e anônima para auxiliar na identificação do serviço mais adequado.
Em situação de risco imediato: procure um local seguro e acione o serviço de emergência.
Por Rodrigo Albquuerque



