Tendência é de aumento de incidentes por falta de vistorias, segundo órgão. Frequência recomendada para fiscalização é a cada 5 anos.
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O Distrito Federal registrou 14 casos de desabamentos de imóveis em 2019. O número foi contabilizado pela Defesa Civil de janeiro até esta terça-feira (15), e corresponde ao dobro dos incidentes ocorridos em todo o ano passado, quando 7 imóveis desmoronaram.
O G1 procurou o órgão após a varanda de um prédio em Taguatinga despencar no domingo (13). A capital já havia registrado outros casos semelhantes, como a queda de um viaduto no Eixão e o risco eminente de colapso da plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto.
Os desabamentos registrados em 2019 ocorreram nas seguintes regiões:
- Águas Claras (3)
- Sobradinho II (3)
- Planaltina (2)
- São Sebastião (1)
- Gama (1)
- Taguatinga (1)
- Lago Sul (1)
- Vicente Pires (1)
Já em 2018, a Defesa Civil registrou sete desabamentos, sendo dois em Águas Claras, outros três no Plano Piloto, e mais dois na Candangolândia e em Ceilândia – com uma ocorrência em cada região.
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Subsecretário da pasta, o coronel Sérgio Bezerra disse ao G1 que existe, efetivamente, uma tendência de aumento no número de desabamentos em Brasília – e em todo o país. A explicação é que, segundo ele, “existe uma percepção de risco muito baixa em todos os níveis e setores, seja privado ou público”.
“Há cerca de 30 anos, quando entrei no Corpo de Bombeiros, me alertaram sobre os desabamentos que viriam com o envelhecimento da cidade, que não tem uma cultura de prevenção. Com o passar dos anos, e tendo participado de inúmeros salvamentos, isso se confirma e se intensifica.”
“A tendência é, de fato, os números aumentarem.”
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Interdições
Somente neste ano, a Defesa Civil interditou 93 imóveis no DF e notificou 695 construções que estavam fora do padrão de segurança. São imóveis que apresentavam algum tipo de falha estrutural, capaz de provocar abalos ou desmoronamento de telhados, muros, lajes e até da própria sustentação.
No ano passado, foram emitidos 67 pedidos de interdição e as notificações por avarias chegaram a 954 – 37% superior ao registrado em 2019 até agora.
A cada 5 anos
De acordo com Bezerra, a estrutura dos imóveis deve ser inspecionada a cada 5 anos para garantir a segurança. “Tem edificação aqui em Brasília fazendo 60 anos que nunca passou por vistoria”, alertou.
Para exemplificar a importância e, cada vez mais, a urgência de se fazer uma espécie de raio-X nos imóveis, o subsecretário compara a vistoria técnica a uma consulta médica de prevenção. “A engenharia civil é feita com base no corpo humano.”
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“Para manter-se de pé, o corpo precisa de ossos. O prédio precisa de vigas, pilares, lajes. Sem eles, a alvenaria e os tijolos caem”, afirma Bezerra. “Por fora, a estrutura pintada de 40 a 50 anos parece bem, mas é preciso investigar por dentro, como o nosso corpo. Mas isso demanda tempo e recurso financeiro.”
“Se o brasileiro não faz prevenção no próprio corpo, quanto mais na edificação.”
Em obras regulares
Além da ação preventiva, a Defesa Civil aponta que a ocupação desordenada no Distrito Federal também contribui para o aumento dos riscos. Segundo Bezerra, as notificações por falta de segurança nos imóveis ocorrem tanto em obras irregulares como nas que têm alvará.
“Há cerca de 4 anos, mais de 60 prédios na Asa Norte foram alertados e alguns, evacuados, porque as pessoas derrubavam as paredes estruturais nos apartamentos para aumentar cômodos. Mas eram prédios que não tinham vigas ou pilares.”
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O subsecretário disse ao G1 que, na última década, a Defesa Civil intensificou as vistorias – mesmo que, segundo ele, o órgão não tenha a atribuição administrativa de fazer o procedimento voluntariamente.
“Passamos a nos oferecer, porque vimos o risco que as pessoas estavam e estão correndo.”
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Para fazer o check-up na estrutura de um prédio ou casa, a Defesa Civil não é a única alternativa. É possível chamar um engenheiro civil ou uma empresa especializada – de preferência, a cada 5 anos.
“É quando surgem casos como o Eixão e o prédio em Fortaleza que a demanda por vistorias aumenta. A Defesa Civil faz a visita, orienta os moradores, mas depois esquecem e começa tudo de novo”, lamentou Bezerra.
Fonte: Luiza Garonce, G1 DF



