ARTIGO/ Gangorras do tempo, por Peniel Pacheco

 COLUNA VIVER BRASÍLIA (DE CORPO E ALMA)

Por Peniel Pacheco*

               Todos sabem que o mundo é cheio de altos e baixos e de idas e vindas. Qual pêndulo do relógio, os acontecimentos se sucedem no decurso da vida como ciclos que vão e vêm, ao soprar dos ventos que agitam as ondas do tempo e do espaço, criando realidades próprias para cada fase da nossa existência.

               O sábio Salomão já dizia: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”

A natureza nos ensina que as estações são verdadeiros ciclos de oportunidades – que são concedidos pela mãe natureza – para semearmos ou para colhermos o que, no devido tempo, for projetado ao longo da nossa jornada.

               No mesmo diapasão das estações, temos o dia e a noite; as semanas e os meses; os anos e os séculos como períodos determinados de tempo no bojo dos quais construímos nossas histórias de vida e, em última instância, a história da própria humanidade.

A própria vida humana, com suas múltiplas facetas, é uma prova inequívoca da maneira como cada fase da nossa existência define, de forma objetiva, nossos modos de ser, de pensar e de agir.

Somos, por assim dizer, pessoas em permanente construção. A cada dia agregamos novas ideias, valores, crenças ou conhecimentos os quais vão paulatinamente modelando a pessoa que nos tornamos à medida que o tempo passa.

               Por tudo isso, não seria de bom alvitre ignorar que há um propósito sublime em cada coisa que nos acontece. Imagine o quão terrível seria se, ao contrário da alternância dos fatos, a vida fosse monotonamente retilínea?

A versatilidade da vida é uma bênção! Experimentamos o doce e o amargo; a alegria e a tristeza; a força e a fraqueza; a saúde e a doença para sabermos diferenciar e valorizar a vida como um mosaico multifacetado de experiências marcantes, cujas lições nos ensinam a olhar além de nós mesmos e nos vermos como seres interdependentes dotados da capacidade de consolar e da necessidade de sermos consolados, sempre que as circunstâncias assim exigirem.

Hoje se fala muito em empoderamento do eu, como se a autossuficiência fosse um caminho mágico para a conquista do sucesso pessoal. Mas, até que ponto o dogma do individualismo personalista é capaz de resistir às intempéries e contratempos da vida?

Somos naturalmente gregários. Vivemos e sobrevivemos na interdependência de uns para com outros interagindo com as forças da natureza e em harmonia com o Supremo Bem.

Somos guardiões de valores que transcendem o fatalismo do aqui e do agora, especialmente quando concedemos a nós mesmos a oportunidade de vivenciarmos os novos acontecimentos escondidos no amanhã na esperança de que todas as coisas contribuem de alguma maneira para o nosso crescimento.

Nem mesmo as experiências mais dolorosas serão capazes de abalar nossa serenidade quando nos convencemos de que, haja o que houver, tudo estará em perfeita sincronia com os estágios de desenvolvimento que nos projetam em busca de algo bem maior do que a simples vontade de sobreviver.  

Não existimos para nós mesmos, mas coexistimos na horizontalidade dos nossos afetos e sentimentos e no compromisso de contribuirmos solidariamente para a construção de um mundo melhor. Mesmo em face das surpresas e novidades propiciadas pelas gangorras do tempo!

             

Brasília, 15 de junho de 2020.

*Peniel Pacheco é Teólogo, Pastor, ex-Deputado Distrital e Colunista Convidado/SOS BRASILIA

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