Procedimentos estéticos invasivos em salões de beleza: alerta para riscos e falta de estrutura adequada

Por: Redação SOS

Morte de uma mulher após procedimento injetável no Distrito Federal reforça a importância de verificar a regularidade do estabelecimento e a habilitação do profissional antes de qualquer intervenção

A busca por procedimentos estéticos vem crescendo, mas a preocupação com a segurança precisa acompanhar essa procura. Intervenções que envolvem agulhas, aplicação de substâncias ou rompimento da barreira da pele não devem ser tratadas como serviços comuns de beleza e exigem estrutura, profissionais habilitados e autorização sanitária compatíveis com o risco da atividade.

O alerta ganhou ainda mais importância no Distrito Federal após a morte de uma mulher que havia sido submetida a um procedimento injetável em um salão de beleza. Durante uma fiscalização realizada no endereço, auditores constataram que o estabelecimento funcionava sem licença sanitária, não possuía responsável técnico habilitado e não atendia aos requisitos necessários para o manuseio de agulhas e substâncias biológicas.

O caso chama a atenção para uma dúvida que pode passar despercebida no momento da contratação: o estabelecimento escolhido está autorizado a realizar aquele procedimento?

Salão de beleza não é clínica de saúde

De acordo com a diretora da Vigilância Sanitária do Distrito Federal, Márcia Olivé, existe uma confusão recorrente entre os serviços tradicionais de embelezamento e procedimentos que são considerados intervenções na área da saúde.

Pela legislação federal mencionada pela Vigilância Sanitária, os salões de beleza estão enquadrados como atividade de médio risco. Isso permite a realização de serviços tradicionais, como corte, penteado, escova, tintura e manicure, sem a necessidade de vistoria sanitária prévia para essas atividades.

Essa autorização, entretanto, não se estende a procedimentos invasivos.

“A dispensa para serviços básicos não autoriza, sob nenhuma hipótese, práticas invasivas. Salões de beleza não têm infraestrutura sanitária nem autorização legal para manusear agulhas, aplicar injetáveis ou ministrar substâncias”, afirma Márcia Olivé.

Segundo a diretora, quando há procedimento que rompe a barreira cutânea, o estabelecimento precisa estar formalmente licenciado como serviço de saúde de alto risco.

Agulhas e substâncias exigem cuidados específicos

Procedimentos que utilizam agulhas ou produtos injetáveis envolvem riscos que vão além do resultado estético pretendido.

A manipulação inadequada de materiais e substâncias pode representar riscos à saúde, especialmente quando realizada em ambientes que não possuem a infraestrutura sanitária necessária ou por profissionais sem a habilitação correspondente.

Por isso, antes de aceitar um procedimento, o consumidor deve evitar considerar apenas o preço, a divulgação nas redes sociais ou fotografias de resultados anteriores. A regularidade do estabelecimento e a habilitação de quem realizará o procedimento são informações fundamentais.

Como o consumidor pode se proteger?

Antes de realizar um procedimento estético invasivo, a Vigilância Sanitária orienta verificar alguns pontos:

1. Confira o licenciamento sanitário
A clínica ou estabelecimento deve possuir licenciamento sanitário compatível com a atividade realizada. O documento deve estar exposto em local visível.

2. Verifique o profissional
É importante confirmar se o profissional está habilitado para realizar aquele procedimento e se possui registro ativo no respectivo conselho de classe.

3. Observe o ambiente
Condições de higiene, organização, armazenamento de materiais e descarte de resíduos também são aspectos importantes de segurança.

4. Desconfie de procedimentos invasivos oferecidos como serviços comuns de beleza
A realização de um procedimento com agulhas ou substâncias injetáveis dentro de um salão de beleza não significa que ele esteja autorizado a fazê-lo.

5. Não deixe de perguntar
O consumidor pode solicitar informações sobre a habilitação do profissional, o licenciamento do estabelecimento e o produto que será utilizado.

Fiscalização aumentou no Distrito Federal

Os números da fiscalização mostram que a Vigilância Sanitária vem ampliando as ações para combater estabelecimentos que atuam de maneira irregular no segmento de estética.

Em 2025, foram realizadas 1.311 vistorias, que resultaram em 155 interdições, totais ou parciais. No mesmo período, foram apreendidas 957 ampolas de produtos injetáveis irregulares e registradas 129 manifestações na Ouvidoria relacionadas ao tema.

Em 2026, até o momento informado pela Vigilância Sanitária, foram realizadas 2.655 vistorias. As ações resultaram em 125 interdições e na apreensão de 1.524 ampolas irregulares. A Ouvidoria recebeu 149 manifestações relacionadas ao setor.

Os dados reforçam que a fiscalização não se limita a situações que chegam ao conhecimento das autoridades depois de um problema. A atuação também busca identificar e interromper práticas que possam representar risco à população.

Onde denunciar?

Ao identificar um estabelecimento que aparentemente realiza procedimentos estéticos invasivos sem a estrutura ou autorização necessárias, o cidadão pode fazer uma denúncia.

No Distrito Federal, as irregularidades podem ser comunicadas anonimamente à Ouvidoria-Geral do DF, pelo telefone 162 ou pela plataforma Participa DF.

As informações recebidas podem gerar inspeções e outras providências dos órgãos responsáveis.

Antes da estética, a segurança

O principal alerta para quem busca um procedimento estético é simples: não basta verificar o resultado prometido; é preciso verificar quem realiza o procedimento e onde ele será realizado.

Serviços de beleza e procedimentos invasivos possuem naturezas diferentes e, consequentemente, exigências sanitárias diferentes. A escolha de um estabelecimento regular e de um profissional habilitado é uma das principais medidas que o consumidor pode adotar para reduzir riscos.

O caso ocorrido no Distrito Federal, que terminou com a morte de uma mulher, reforça a importância desse cuidado. Segurança deve fazer parte da decisão antes mesmo de qualquer procedimento começar.

Por Rodrigo Albuquerque

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