A passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo território argentino durante a fuga para os Estados Unidos abriu um atrito diplomático entre Brasil e Argentina nesta sexta-feira, 30. O chanceler argentino, Pablo Quirno, negou publicamente que o Brasil tenha pedido explicações ao seu país sobre o episódio, e o presidente Javier Milei endossou a negativa ao republicar a mensagem.
“Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”, escreveu Quirno em rede social, ao comentar uma publicação do jornal argentino La Nación. Milei repostou a mensagem do chanceler com a frase “La Nación mentindo”.
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro convocou na quinta-feira, 29, a encarregada de Negócios da Embaixada da Argentina em Brasília, María Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos sobre o contexto da viagem. Ela foi recebida pelo diretor do Departamento do Mercosul do Itamaraty, João Marcelo Galvão de Queiroz, que solicitou informações sobre o papel do governo argentino na viagem do senador. Na linguagem diplomática, a convocação de um diplomata para esclarecimentos é uma demonstração de reprovação a uma conduta do país representado. Cortés é a mais alta diplomata argentina no Brasil desde agosto, quando o embaixador Guillermo Daniel Raimondi foi chamado de volta a Buenos Aires em meio a uma crise entre os dois países.
O governo argentino confirmou que Flávio Bolsonaro embarcou com a família em um avião particular que partiu de Puerto Iguazú, na província de Misiones, na noite de terça-feira, 27. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador, a esposa e as duas filhas cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, às 22h50, com documentação válida e sem impedimento legal para entrar no país. Cerca de 40 minutos depois, embarcaram em um jatinho Gulfstream G400 da empresa Baires Fly, com escala no Equador, e desembarcaram em Miami na quarta-feira.
Nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou rapidamente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante um evento, sem tratar de temas específicos. O senador deixou o Brasil descumprindo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que havia determinado a entrega de seus passaportes à Polícia Federal no âmbito de uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz.
Por Redação SOS Brasília – Rodrigo Albuquerque




