Capitão Sabino, por Flávio Noronha*

Por: Redação SOS
sos brasilia

O resgate de histórias militares é um trabalho profícuo, haja vista a possibilidade de estudá-las sem envolvimento emocional, promover divulgação às que foram pouco valorizadas, bem como conferir o devido valor aos seus protagonistas, os quais, sem exceção, colocaram em jogo as próprias vidas para o bem da nação brasileira.

A história do Capitão Sabino é emblemática e exemplar. “Descoberto” pelo General Mascarenhas de Moraes em uma competição hípica, o então 1º. Tenente foi convidado a compor a Força Expedicionária Brasileira, o que aceitou prontamente.

Com casamento marcado, precisou adiar as núpcias, tendo atenciosamente comunicado a necessidade ao seu sogro, com o compromisso de realizá-lo quando de seu retorno ao Brasil, o que, de fato, ocorreu.

Nos campos de batalha da Itália recebeu a incumbência de comandar o Military Police Platoon (Pelotão de Polícia Militar), suprindo demanda do IV Corpo do Exército Estadunidense, missão que desempenhou com destreza.

Três meses após e diante da efetividade dos serviços prestados, houve a convolação do Pelotão em Companhia e a promoção do tenente a capitão, o qual permaneceu no comando desta tropa de elite até depois do final da Segunda Guerra Mundial.

Inúmeras vezes elogiado, atuou em todos os campos de batalha na Itália, com atuações precisas e bem planejadas, o que rendeu ao Capitão seguidos elogios por parte do seu comando, os comandos das tropas aliadas e, especialmente, do próprio General Crittenberger – comandante do IV Corpo do Exército Estadunidense, subordinado ao V Exército, comandado pelo Gen. Mark Clark e inserido no XV Grupo de Exércitos Aliados – o qual não economizou palavras para descrever esse bravo soldado, que bem sabia mesclar energia, atitude, dedicação, com educação, sendo conhecido pela forma diplomática e cortês com que lidava, inclusive, com os prisioneiros de guerra entregues aos seus cuidados, o que promoveu a repercussão de seu nome além das fronteiras militares locais e lhe rendeu a Medalha Bronze Star, a quarta em importância como condecorações de guerra daquele País.

Militar por vocação, iniciou, com seu desempenho na guerra, a história da Polícia do Exército Brasileiro, até então inexistente. Atuou no comando, primeiramente, do Pelotão de Polícia, passando ao da Companhia, o que perdurou por todo o tempo da guerra, sendo que, quando da desmobilização das tropas da FEB, sua Companhia foi mantida intacta, a pedido do Comando Estadunidense, cuja permanência nos campos da Itália foi prorrogada até outubro de 1945, sob a denominação de Polícia do Grupamento Itália.

No Brasil, Sabino permaneceu no comando da Polícia, aqui renomeada como 1ª. Companhia de Polícia da 1ª. Região Militar, a qual deu origem, logo a seguir, ao 1º. Batalhão de Polícia do Exército, precursor de todos os atuais pelotões, companhias e batalhões espalhados pelo Brasil.

O Capitão Sabino, reformado em 1973 como Coronel de Cavalaria, além de ter sido o primeiro comandante da Polícia do Exército Brasileiro – no início, como tropa expedicionária, e, após, como tropa nacional – o foi em tempos de guerra e de paz.

Esta riquíssima história, contada sob o contexto da 2ª. Guerra Mundial, é o foco deste trabalho. 

Espero que a mesma inspiração que me motivou a produzi-lo alcance o coração de cada leitor, renovando ou criando o sentimento mais puro de amor à pátria e de grandes reflexões, lembrando que a guerra e seus horrores devem ser, a todo custo, evitados.

ADSUMUS
SEMPER PARATUS
BRASIL ACIMA DE TUDO

*FLÁVIO AUGUSTO NOGUEIRA NORONHA é professor de direito, advogado atuante, poeta e escritor. Colunista convidado especial do SOS BRASÍLIA


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