Do alto de seus quatro bilhões e seiscentos milhões de anos,
O Sol, astro-rei magnânimo de meia idade;
Símbolo máximo de vida para a humanidade;
Estrela mais próxima da terra, de cores, luz e raios eternos;
Com Planetas, asteroides, cometas e poeira girando ao redor;
Reina soberanamente como figura central do sistema solar.
Fulgurante, proporciona a olhares de espectadores atônitos, maravilhados,
Pelo seu nascer e ao despedir-se do dia, lindos cenários assombrados,
Despontantes no leste do horizonte como um presente radiante de vida,
Em meio a espetáculo de luzes, doador de esperança e de energia.
Sinalizador inconfundível do amanhecer, da alvorada, da aurora,
Deflagrado por rápidos raios viajantes
Vindos do céu – daqui, muito distantes –
De cento e cinquenta milhões de quilômetros – arautos da alba,
Cujo amarelo, produzido pela sua dispersão na atmosfera,
Forma o dia, aquece o coração, as almas e a vida na terra.
No momento de sua diária despedida – tão esperada… –
Produz deslumbrante iluminação, querida e venerada:
– O pôr do sol, o sol-pôr, o anoitecer, o entardecer ou o ocaso – Cujo brilho é maior do que o do seu soerguimento comemorado.
É sinal de missão cumprida, lançado no firmamento em matiz inconfundível
De vermelho e laranja – o arrebol – cuja beleza única e indescritível
Oculta-se no oeste do horizonte, dando início à soturna escuridão.
Momento que seus raios vêem-se obstados de sua magnífica apresentação,
Chamando a lua para seu lugar assumir e iluminando-a gentilmente,
Como forma de rememorar a todo o mundo, sutil e discretamente,
Que continua vivo – escondido, mas, sempre presente –
Dando-nos a certeza de que o amanhã será reluzente,
E de que, fulgurante e pleno, raiará pelo “restinho” de sua vida
– Os próximos sete bilhões de anos, de dominância garantida –
Promovendo luz e sombra, eternamente… Menos, porém, para si,
Eis que sombras, nele, não prevalecem; não lhe podem incidir.
Como disse Leonardo Da Vinci: “Jamais o sol vê a sombra”.
Sábias palavras de pensador, cujo conhecimento assombra.
Nos belos momentos de chegada e de despedida
Intrigante contrastação nos corpos se materializa.
Quem ao Sol se contrapõe, ilumina-se por um lado,
Mas, por outro, vê esvair-se a nitidez, um bom bocado.
Torna-se imagem assombrada,
Cuja identidade só é revelada
Pela detida observação de contornos silenciosos,
Mansos, calmantes e, pela luz, ultrapassados…
Johann Goethe e Nietzsche ensinam que…
“A nitidez é uma conveniente distribuição de luz e sombra” que desnuda, em todos, a forma do ser,
E que, porém,…
“Perto do sol há incontáveis corpos escuros a serem deduzidos – tais que nunca chegaremos a ver.”
Resta uma certeza: quanto a estes contrastes, jamais se formam discordâncias.
Suas deslumbrantes repercussões perduram perenemente nas nossas lembranças…
Por FLÁVIO NORONHA



