Neste artigo trato do famosíssimo “SEXTOU!!!”, o que faço por meio de palavras esquisitas da língua portuguesa, sendo este o atrativo do texto.
A história do “sextou” serve apenas como “pano de fundo” para uma brincadeira com palavras e para demonstrar a riqueza do nosso vernáculo e o quão pouco sabemos sobre ele. Após cada parágrafo composto por palavras diferentes virá outro, com a respectiva “tradução” para o nosso linguajar usual. Então, vamos ao artigo:
Para nosso espavento, hebdomadariamente, somos invectivados por comoções que se repisam, fazendo-nos experienciar emoções antagônicas e paradoxais, que vão do êxtase da sexta-feira, passando pelo acabrunhamento da segunda, e abiscoitando a resiliência e o estoicismo sobrepujante no interregno de terça e quinta.
(Para nosso espanto, semanalmente, somos animados por sentimentos que se repetem, fazendo-nos vivenciar emoções conflitantes e contraditórias, que vão da animação da sexta-feira, ao desânimo da segunda, e à readaptação, à aceitação do que nos espera entre terça e quinta).
Esse calcorrear que se espicaça com reiteração tão breviloquente e peremptória merece alguns ápices de cogitação, o que me instilo a deflagrar por meio destas escreveduras, com a serventia de redação, a qual, de tão inusual, beira à ininteligibilidade, de forma burlesca, surpreendente e pindérica.
(Esse caminhar que se repete de forma tão curta, mas inevitável, merece alguns momentos de reflexão, o que me proponho a iniciar por meio destes escritos, com a utilização de redação, a qual, de tão desconhecida, beira à impossibilidade de entendimento, de forma engraçada, surpreendente e magnífica).
A quinta-feira tem o seu prelúdio com a erupção inequívoca de consupção física e consumo mental conformados por quatro dias de trabalho brochornoso; de muitas feituras; de busca por apropositados desenredos; de cobranças que nos coarctam e nos instigam a sonhar com momentos de escape, que nos permitam respirar desafrontadamente, esquecer de obrigações e contrapartidas, e a viver um interlúdio de utopia, que é um final de semana, senão perfeito, propínquo a isto, que assenhora-se do nosso imaginário, em duradouros e benvindos devaneios…
(A quinta-feira tem o seu início com a manifestação clara de cansaços físico e mental proporcionados por quatro dias de trabalho cansativo, de muitos esforços produtivos, de busca por metas, de cobranças que nos sufocam e nos fazem sonhar com momentos de tranquilidade, que nos permitam respirar livremente, esquecer de obrigações, e viver um intervalo de plena felicidade, que é um final de semana, senão perfeito, próximo a isto, que invade o nosso imaginário, em longos e benvindos sonhos…).
O desabrolhar da sexta-feira parece mirífico! Traz acrisolamento abrupto pelo arrabalde do nada a fazer, pela sensação auspiciosa de esmorecimento e pelas tantas expectações de um “happy hour”, emendado com noite de desafogo e de extravasamento, como se naquele fim de dia residisse o desenlace para todos os imbróglios, o viver sem entremetimentos, sem soturnidades, enfim, a convergência com a pura, simples e completa eutrapelia.
(O nascer da sexta-feira parece mágico! Traz renovação imediata pela proximidade do nada a fazer, pela esperança de desaceleração e pelas tantas vontades de um “happy hour”, emendado com noite de desabafo, o viver sem interferências, sem tristezas, enfim, o encontro com o puro, simples, mas completo, bom humor).
O dia perpassa em meio a um arroubamento que nos deixa atarantados, aturdidos, embevecidos e extasiados, excogitantes quanto a tão promissor porvir. Por todos os lados escuta-se: SEXTOU!!!
(O dia passa em meio a um entusiasmo que nos deixa confusos, admirados, deslumbrados e encantados, pensando profundamente sobre o que promete acontecer. Por todos os lados escuta-se: SEXTOU!!!).
Graçolamos à toa, sem medidas, serelepes, diante de salvatérios que tornam-se quase que palpáveis, a cada momento que passa.
(Rimos à toa, sem medidas, agitados, diante de planos e mais planos que tornam-se quase que palpáveis, a cada momento que passa).
A freima apodera-se das últimas horas do dia. Estorcegamos para que ele passe com a ladinice de um raio. Ficamos meio que letárgicos, em outra dimensão, como autênticos nubívagos; nefelibatas. Avizinhamo-nos de siricuticos e chiliques só de reflexionar sobre alguma ziquizira que possa desafastar-nos do nosso ideário.
(A inquietação toma conta das últimas horas do dia. Torcemos para que ele passe com a ligeireza de um raio. Ficamos meio que apáticos, em outra dimensão, como quem vive nas nuvens. Ficamos perto de passar mal por ansiedade, só de pensar em alguma má sorte que possa nos desviar do que desejamos e planejamos).
Apropinquada a epopeica hora – o fim do expediente, cumprido integralmente, prematurado ou até enforcado em um turno – todos apressuramo-nos à convergência dos amigos contumazes bíbulos de birinaites, que nos expectam solenemente, de preferência em uma birosca chumbrega – em nada importando tratar-se de uma espelunca – onde nos zumbriremos a um picuá de gelo com bujecas, locupletado de espiroquetas, é claro – já que nestes recônditos não se fala na rebimboca esputante de chope – em meio a um ensurdecedor bambaré – natural algazarra e mafuá – proporcionado pelo deleite irreprimido de tantos convivas.
(Chegada a grande hora, o fim do expediente, antecipado ou até sacrificado em um turno, todos nos apressamos em busca de um único objetivo: encontrar os amigos bebedores de qualquer coisa alcoólica, que nos esperam prontamente, de preferência em um buteco vagabundo – em nada importando tratar-se de um lugar sujo – onde nos entregaremos a um balde de gelo com cervejas, lotado de bactérias, é claro – já que nestes lugares escondidos não se fala na máquina que jorra chope – em meio a uma ensurdecedora confusão – natural barulheira e desordem – proporcionada pela grande alegria de tantos colegas).
Sem qualquer encalistramento, tornamo-nos os melhores amigos de quem jamais vimos, não importando bulhufas se são fulustrecos, tribufus, boas-praças, bangalafumengas, estrupícios, matusquelas ou até sacripantas. O que importa é o conúbio na carraspana!
(Sem qualquer timidez, tornamo-nos os melhores amigos de quem jamais vimos, não importando em nada se não sabemos seus nomes, se são feios, bacanas, joões-ninguém, esquisitos, doidos ou até desonestos. O que importa é a união na bebedeira!).
Em meio a essa barafunda de destrambelhados, pedinchamos uma gororoba p’ra secundar as marvadas – quiçá uma jiripoca frita – num balbucio de tornar cuntatória a subida do álcool à mente e de eludir o pileque, oscitações e até, sabe-se lá, um piripaque… A fabulação de todos é que o muquifo fosse parálio. Seria excelso!
(Em meio a esse tumulto de malucos, pedimos qualquer coisa de comer p’ra acompanhar as cachaças – quem sabe até um peixe frito – numa tentativa de tornar mais demorada a chegada ou até evitar a embriaguez, bocejos e até um desmaio… O sonho de todos é que aquele pé-sujo fosse próximo ao mar. Seria maravilhoso!).
Em altas horas, já com os luzeiros rubicundos, com as biqueiras secas de tanto esputar, o corpo nitidificadamente lerdo e pachorrento, terá chegado o momento de uma “parada técnica”, para elucubrar-se sobre como será o sábado inteiro e o domingo, dias em que tudo se repetirá.
(Em altas horas, já com os olhos avermelhados, com a boca seca de tanto cuspir, o corpo claramente lento e acomodado, terá chegado o momento de uma parada técnica, meditando sobre como será o sábado inteiro e o domingo, dias em que tudo se repetirá).
Na noite de domingo, após o uso e o descomedimento de todos os nossos direitos de liberdade “finaldesemaniana”, conjuminados à perdulariedade concitada pelos regalos já fenecidos, não poderemos ser mendaciosos, petranhentos e muito menos filauciosos, num intento de confutarmos nossas nequices e espanholadas e dizermos, presunçosamente, que quanto a tudo e às reverberações, estávamos cônscios. A cama nos almeja sem o mínimo direito de nossa parte de tergiversar.
(Na noite de domingo, após o uso e o abuso de todos os nossos direitos de liberdade típicos de final de semana, unidos com os gastos incentivados pelos prazeres já vivenciados, não poderemos ser mentirosos e muito menos arrogantes, numa tentativa de negarmos nossas falhas e exageros e dizer, presunçosamente, que quanto a tudo e às consequências, estávamos cientes. A cama nos deseja, sem o mínimo direito de nossa parte de dela nos desviarmos; de rejeitá-la).
No dilúculo, pasmados e estupefatos, descortinamos a assombrosa e horrífera realidade de que… SEGUNDOU!!!
(Ao nascer do dia seguinte, confusos e perplexos, percebemos a assustadora realidade de que… A SEGUNDA-FEIRA CHEGOU!!!).
Incontinenti, propendemos a ter um faniquito, passamos a dromomaniar sem agulha; taciturnos; malsinando a tudo e a todos, em atitude quase que belicosa, tentando procrastinar a acareação desta injucunda realidade da reencetação, da volta à prestação de contas no trabalho, da irresistência em subordinação, das jornadas e da abstinência lancinante de ledice.
(Imediatamente, tendemos a ter um mal súbito, passamos a vagar sem rumo, calados, mal interpretando a tudo e a todos, em atitude quase que de prontidão para uma briga, tentando adiar o confronto desta triste realidade da recomeço, da volta à prestação de contas no trabalho, da aceitação às ordens, das jornadas e da ausência dolorosa de felicidade).
O corpo somatiza essa consternação e passamos todo o dia escrutinando a reativação das “baterias”, meditabundos, cismarentos, macambúzios, sorumbáticos, acabrunhados, cogitabundos e lanfranhudos…
(O corpo assimila esse sofrimento e passamos todo o dia buscando a reativação da nossa energia, pensativos, preocupados, chateados, carrancudos, desanimados, desatentos, mal-humorados…).
Que tribulação! Tudo isto somente passará ao arrebol do ocaso, em nova confluência com seu leito de dormitação, onde tudo restará abstraído após uma noite bem dormitada…
(Que dificuldade! Tudo isto somente acabará quando da luz do sol anoitecer, em novo encontro com seu cama, onde tudo restará esquecido após uma noite bem dormida…).
Na terça-feira, novo quartel se instaura: SEMANOU!!!
(Na terça-feira, nova fase se inicia: NOVA SEMANA COMEÇOU!!!).
Nossos corpos redarguem à velocidade de cruzeiro – em magnificente testemunho de resiliência, com fabrico cerebral recondicionado – meritórios de panegíricos, deixando de lado as reminiscências da portentosa “pocilga”, que tantas alegrias nos aprovisionou no final de semana, e com já despontante veleidade de que venha logo a subsequente sextança, para que tudo se rediga inconsequentemente, deixando a cargo da segundança e da semanança o recolher os sumptos a serem solvidos.
(Nossos corpos voltam ao ritmo normal – em excelente demonstração de readaptação, com produção cerebral restaurada – merecedora de elogios, deixando de lado as lembranças do maravilhoso boteco pé-sujo, que tantas alegrias nos deu no final de semana, já aparecendo rápidos desejos de que venha logo a próxima sextança, para que tudo se repita sem restrições, deixando a cargo da segundança e da semanança o cobrar dos preços a serem pagos).
Chega ao fim a exposição das três distintas partes da semana que afetam direta ou indiretamente as vidas de quase todos nós, simploriamente representadas pela expressão “sextou”.
Fico por aqui, cogitabundo, expectando o desenredo da resultância do entremetimento desta investigação em sua vida. Estorcego piamente; fausto; em freima; que Você não tenha malsinado estes escritos. Meditabundo, expecto por algum panegírico seu, em redarguição reverberadora ao texto, o que, para mim, seria pindérico. Se panegírico não me regressar, zumbrir-me-ei, taciturno; talvez, macambúzio; com o rostro rubicundo; me sentindo um fubica.
Alea jacta est…
(Fico por aqui, pensativo, aguardando o resultado da interferência deste texto em sua vida. Torço muito e sinceramente, esperançoso, apreensivo, que Você não tenha entendido mal estes escritos. Pensativo, aguardo algum elogio seu, em resposta às repercussões do texto, o que, para mim, seria magnífico. Se elogio não me chegar, aceitarei humildemente, calado e talvez tristonho, com o rosto avermelhado, me sentindo pequeno. A sorte está lançada…).
Por FLÁVIO NORONHA



