Força Expedicionária Brasileira: Capitão Sabino e Polícia do Exército

Por: Redação SOS
Desembarca na Base Aerea de Salvador 140 homens do 4º Batalhão do Exercíto de Recife para reforçar a segurança do estado da Bahia.

As histórias da Polícia do Exército Brasileiro e do Capitão Sabino mesclam-se de forma emblemática. “Descoberto” pelo General Mascarenhas de Morais, em demonstração de pista de combate, o então 1º. Tenente foi convidado a compor a Força Expedicionária Brasileira, o que aceitou prontamente, tendo sido indicado como comandante, em solo europeu, da recém nascida Military Police Platoon Febiana, transformada, logo após, em Cia de Polícia Militar, assim permanecendo até o fim da conflagração mundial.

 

De tropa expedicionária, a Companhia passou a tropa nacional. Em solo pátrio, ainda sob o comando do Capitão Sabino, manteve-se ativa como 1ª. Cia de Polícia do Exército da 1ª. Região Militar e, subsequentemente, como 1º. Btl de Polícia do Exército – nascedouro dos atuais 25 Pelotões, seis Companhias e 9 Batalhões, plantados Brasil afora.

 

Tudo começou quando combatentes de três grandes Regimentos – do Rio (o Sampaio), de São Paulo (o Caçapava) e de São João Del Rey (o Tiradentes) – partiram para a Itália, visando auxiliar as tropas aliadas, capitaneadas por soviéticos, chineses, ingleses e norte-americanos, contra as forças do Eixo, compostas por Itália, Japão e Alemanha.

 

Dentre os de São Paulo, destacava-se um jovem Primeiro-tenente, que encarnava um tipo raro de troupier, admirado por suas qualidades, maxime por Mascarenhas de Morais, que o quis como Expedicionário e o integrou à Primeira Divisão de Infantaria Expedicionária, na condição de comandante de fração do 2º. Regimento de Cavalaria Divisionário.

 

Enviado no terceiro escalão de soldados à Itália, Sabino integrou-se ao IV Corpo do exército estadunidense, comandado pelo Gen. Crittenberger – subordinado ao V Exército norte-americano, dirigido pelo Gen. Mark Clark, inserido no XV Grupo de Exércitos Aliados. Patriota, valente e devotado, ele protagonizou história de grande valor, tendo ficado conhecido – pelos locais, pelos Aliados e pelos do Eixo – como comandante enérgico, porém, humano e respeitoso.

 

Dois dias após sua incorporação, foi designado Comandante do Pelotão de Polícia – a primeira fração de Polícia de Exército do Brasil –tendo este Pelotão, como principais missões, o balizamento de trânsito, a defesa de pontos sensíveis, a guarda e a escolta de prisioneiros de guerra.

 

Cerca de três meses depois, em fevereiro de 1945, foi promovido a Capitão e, após – por determinação do Gen Willis Crittemberger – a comandante da recém-criada Cia de Polícia Militar, vendo incluídas em suas missões originais, a de controlar diferentes tropas nas ultrapassagens e progressões e a de cuidar da disciplina e do interrogatório de prisioneiros que custodiava.

 

Sabino comandou a Cia de Polícia durante toda a guerra, tendo participado das tomadas de Montese, Monte Castelo, Porreta Terme, Zocca e, também, de Camaiore, com destaque para atuação nas cercanias de Alessandria, quando sua Companhia, com extrema perícia, prendeu inúmeros integrantes das Divisões Italianas Bersaglieri e 90ª. Panzer Granadier, e da 148ª. D. I. Alemã.

 

Seus atos no teatro de guerra, de tão destacados, mereceram diversos elogios por parte de comandantes aliados, do próprio General Mascarenhas de Morais, comandante da Força Expedicionária Brasileira, e romperam importante fronteira militar, chegando ao conhecimento do Major-General Willis D. Crittenberger, o qual não economizou palavras para descrever a atuação do soldado brasileiro como exemplo de “esplêndido desempenho”, motivador da outorga, a ele, da “Medalha Bronze Star”, a quarta em importância como condecoração de guerra daquele País. Tal distinção juntou-se às brasileiras “Medalha de Guerra”, “Cruz de Combate de 2ª. Classe”, “Medalha de Campanha da FEB”, “Medalha Marechal Mascarenhas de Morais” e à italiana “Cruz de Guerra Por Valor Militar”.

 

Os expedicionários combateram bravamente por sete meses e dezenove dias, sendo o dia 2 de maio o que marcou, para o Brasil, após “a cobra ter fumado”, o final da guerra.

 

Cerca de um mês depois, ainda realizando trabalhos pós-guerra nas províncias de Piacenza, Lodi e Alessandria, a FEB viu-se desmobilizada e o seu contingente dissolvido, à exceção da Cia de Polícia Militar, que prosseguiu trabalhando, com a nova denominação de Polícia do Grupamento Itália.

 

Já no Brasil, a Cia de Polícia Militar Expecidionária manteve-se em funcionamento, subordinada à 1ª. Região Militar, quando passou a ser denominada de 1ª. Companhia de Polícia da 1ª. RM (comandada por Sabino até dezembro de 1945). Logo após, recebeu o nome de 1º. Batalhão de Polícia do Exército, hoje designado historicamente como Batalhão Marechal Zenóbio da Costa, precursor de todos os atuais pelotões, companhias e batalhões de polícia do Exército espalhados pelo Brasil.

 

Em abril de 1946, ingressou no Curso de Oficiais da Reserva-COR, dando início a nova e rica jornada em sua vida profissional. Em razão de sua conduta e do desempenho de inestimável valor nos campos de batalha, o Gen Mascarenhas de Morais o recomendou para o serviço militar da ativa, o que se implementou por meio de Decreto Presidencial de julho de 1949, tendo sido ele incorporado ao 11º. Regimento de Cavalaria, a primeira, dentre diversas organizações militares a quem serviu.  José Sabino Maciel Monteiro, manteve-se na Força Terrestre até 1973, passando à reforma como coronel.

 

Sua história de sucesso, honra e precursoriedade, aliada ao fato de ter sido ele o primeiro comandante da Polícia do Exército Brasileiro (em tempos de guerra e de paz), motivaram o Força Terrestre a criar a Praça Capitão Sabino, com escultura de seu busto, no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, e a conferir ao 6º. Batalhão de Polícia do Exército de Salvador a denominação histórica de “Batalhão Capitão Sabino”.

 

FLÁVIO NORONHA

 

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