Os soldados são eternos

Por: Redação SOS

Um garoto predestinado ao sucesso nasceu em 25 de agosto de 1803, na fazenda São Paulo, situada na Vila do Porto da Estrela, Capitania do Rio de Janeiro. Filho de Francisco de Lima e Silva (Barão de Barra Grande) e neto de José Joaquim de Lima e Silva, importantes militares portugueses, com 5 anos de idade deu início à sua carreira militar, alistando-se ao Exército na condição de cadete de 1ª. Classe do 1º. Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro, posto honorífico alcançado em razão de seus ascendentes militares ilustres.

Seu nome: Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias – Duque de Ferro – patrono do Exército Brasileiro. Soldado por excelência, ele marcou o Brasil com história de incomparável dedicação militar, mesclada com a de estadista, tendo sido peça fundamental para vencer e debelar diversas guerras e crises, desincumbindo-se de todas as missões assumidas, quer seja por meio de lutas armadas ou pela atuação diplomática de pacificação. Em que pese a magnitude de todos os postos ocupados em sua brilhante carreira, sempre foi distinguido como “Soldado” da Pátria.

 

Bem educado, de fala serena e de destacado autocontrole, desde sempre e muito cedo apreendeu ao lições sobre a arte de comandar, de gerir, de portar-se e de vestir-se, o que a tudo fazia impecavelmente.

Com 15 anos, foi recebido pela Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, onde foi promovido a alferes e, depois, a tenente, deixando no passado a colocação honorífica e começando, efetivamente, sua carreira militar. De Alferes, em 1818, até Marechal, em 1863, galgou todos os postos da hierarquia militar e o mais elevado, da política.

Teve atuação destacada, a partir de 1823, nas guerras ocorridas em vários pontos do País, contra forças portuguesas leais à Coroa, que não aceitavam a declaração de independência do Brasil, funcionando como adjunto do comandante do Batalhão do Imperador.

Dali por diante, participou ativamente nas seguintes conflagrações: Campanha da Cisplatina, contra as Províncias Unidas do Rio da Prata; Revolta da Balaiada, na Província do Maranhão, já no posto de coronel; Revoltas Liberais, nas Províncias de São Paulo e de Minas Gerais; Revolução Farroupilha, na província de São Pedro do Rio Grande do Sul; Guerra da Prata (Guerra contra Oribe e Rosas); e Guerra do Paraguai, sendo esta a última, maior e mais importante batalha dentre as que participou.

 

No campo político, presidiu o Conselho de Ministros –  cargo de dirigente máximo do Poder Executivo no Segundo Reinado do Império do Brasil – em três oportunidades; foi, também, Ministro da Guerra por duas vezes; presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, por duas vezes, tendo, por esta, também desempenhado o papel de Senador do Império; e presidente da Província do Maranhão, por uma vez.

Recebeu o título de nobre, o qual foi sucedido pelos de Barão de Caxias, sendo elevado a Conde, Marquês e Duque, tendo a denominação “Caxias” se originado de escolha por ele mesmo promovida, como homenagem e memória a uma das mais importantes vitórias de sua carreira militar, ocorrida na cidade maranhense homônima, sendo ele um dos três Duques de todo o período imperial do Brasil (ao lado do Duque de Santa Cruz e da Duquesa de Goiás), e o único por todo o Segundo Reinado.

 

Em 7 de maio de 1880, faleceu ao lado de familiares, tendo Dom Pedro II, seu amigo pessoal, ex-aluno de esgrima e de hipismo, participado de seu funeral, cuja procissão que o precedeu foi capitaneada por uma carruagem da família imperial, precursora de dezesseis membros da criadagem da realeza e de treze soldados de boa conduta, que carregaram seu caixão, sendo estas “pompas” realizadas em sentido contrário às últimas vontades declaradas por Caxias, que queria modéstia nos atos de seu velório e enterro.

 

Apesar das vitórias militares e importância para o país, somente 40 anos após a sua morte é que Luís Alves de Lima e Silva passou a receber os devidos reconhecimentos, tendo o ano de 1923 como marco do estabelecimento, pelo Ministério do Exército, de celebração anual em sua homenagem, e, em seguida, em 1925, o da fixação da sua data de nascimento como o Dia do Soldado.

 

Quase um século depois, em 1962, teve seu nome firmado tanto como estadista quanto como militar, quando foi elevado à condição de patrono do Exército Brasileiro, consolidando-se como a figura mais importante da história militar pátria, não somente pelas vitórias em guerras, mas, especialmente, pela sua habilidade na pacificação diplomática – um misto de aplicação da têmpera de sua espada com a o ouvir o coração – o que produziu sua fama de pacificador.

 

Reconhecido como o soldado mais bem-sucedido e mais distinto do país em todos os tempos; como o maior comandante de seu continente, em sua época; e visto como sinônimo de lealdade ao trono, de obediência, de modelo militar, de cidadania e de correção, teve seu nome associado, perenemente, à expressão popular “caxias”, que distingue os que seguem as normas com fidelidade.

O termo “soldado” vem do italiano “soldato”, ou seja, aquele que recebeu o “soldo” (uma moeda de ouro da Roma imperial) para servir às tropas armadas.

 

A expressão “Soldado do Exército Brasileiro” representa, genericamente, desde o menor até o maior componente da Força, indo do Taifeiro ao Marechal (este presente somente em tempos de guerra), todos integrantes da chamada “Tropa de Caxias”, a qual, até pouco tempo atrás, era composta somente por homens, o que mudou nos tempos atuais, haja vista hoje contar com número importante e crescente de mulheres em suas fileiras.

 

Pautado em princípios de hierarquia e disciplina o Soldado está sempre preparado para o combate, capacitado que é para suportar todas as dificuldades inerentes à sua função, sem abandonar o seu posto, concentrado em sua missão institucional e focado no que o motiva, que é a defesa da Nação, a qual, segundo Rui Barbosa, deve confiar em seus soldados e não em seus direitos, pois, do contrário, enganar-se-á a si mesma e preparará a sua própria queda.

 

O nosso Exército é implementado por Armas, Quadros e Serviços, sendo que as Armas contam com os militares combatentes por excelência, ligados à atividade-fim da profissão, sendo elas as de infantaria e de cavalaria tidas como Armas-Base; e Artilharia, Engenharia e Comunicações, como Armas de Apoio ao Combate.

 

Os Quadros compõem-se de militares de origem diversa, agregados com finalidade geral própria, havendo os Quadros de Engenheiros Militares, o de Material Bélico e o Complementar de Oficiais.

 

Já os Serviços são compostos por militares cuja atividade é de apoio e reveste-se de cunho eminentemente logístico, sendo exemplos os Serviços de Intendência, de Saúde, de Assistência Religiosa, e os de Apoio, exercidos por subtenentes e sargentos, relacionados à música, logística, comunicações, Instrução Especializada e Instrução em Aviação do Exército.

 

Independentemente de integrar uma Arma, um Quadro ou um Serviço, cada “Soldado de Caxias” tem patente e perene em sua mente a imprescindibilidade para o País, expressada apropriadamente na fala do Imperador Inca Túpac Amaru, quando declarou que “guerras vão e vêm, mas meus soldados são eternos”; assim como o brado cívico de Edmondo Amicis,  nos seguintes termos: “Coragem… pequeno soldado do imenso exército! Os teus livros são as tuas armas; a tua classe é a tua esquadra; o campo de batalha é a terra inteira; e a vitória é a civilização humana”.

 

Parabéns, soldados brasileiros, pelo seu dia!

Brasil Acima de Tudo!

 

FLÁVIO NORONHA

 

 

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