Três heróis brasileiros – 2ª. Guerra Mundial

Por: Redação SOS

Em 31 de agosto de 1942, poucos dias após o torpedeamento, pelos alemães, nas costas brasileiras, dos navios “Baependi”, “Araraquara”, “Aníbal Benévolo”, “Itagiba” e “Arará”, provocador da morte de centenas de civis, o Brasil declarou guerra às nazi-fascistas Alemanha e Itália, o que deflagrou, em 1943, a criação da Força Expedicionária Brasileira, e o envio de quase 26 mil homens e mulheres ao solo italiano, sob o comando do general Mascarenhas de Morais, os quais lá desembarcaram entre os meses de julho e novembro de 1944, em cinco escalões de envio.

 

A FEB, com sua 1ª. Divisão de Infantaria Expedicionária, integrou o IV Corpo do Exército Estadunidense, sob o comando do Gen. Crittenberger – subordinado ao V Exército Norte-Americano, dirigido pelo Gen. Mark Clark – inserido no XV Grupo de Exércitos Aliados. Estes compostos, precipuamente, por tropas soviéticas, inglesas, norte-americanas e chinesas.

 

Dentre milhões de combatentes, três pracinhas mineiros destacaram-se heroicamente, mostrando, em um combate em Montese, aos que maldosamente desdenhavam da FEB, que os brasileiros eram inatos destemidos infantes.

Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Baêta da Cruz e Geraldo Rodrigues de Souza – homens simples e patriotas, enviados pelo 11º. Regimento de Infantaria de São João Del Rey-MG, denominado de Regimento Tiradentes – fizeram o mundo crer, com sua bravura, que uma cobra poderia fumar, contrariando os comentários depreciativos de que seria mais fácil uma cobra a um cachimbo fumar, dos que as tropas brasileiras fazerem diferença nos campos de batalha europeus.

 

Em momento crucial da Guerra, Mascarenhas de Morais conferiu à FEB a especial missão de capturar Montese, o que possibilitaria aos aliados grande evolução em solo italiano, trilhando o caminho de Modena e Bolonha, até o Vale do Pó, impedindo que o Eixo novamente dominasse aquele região.

 

Com suas tropas já posicionadas, em abril de 1945, os três mineiros patrulhavam as proximidades de Montese, caminhando entre montanhas e terras densamente minadas em suas entranhas, quando, repentinamente, viram-se diante de soldados alemães – mais de 100 – o que deu início a um combate intenso e mortal, patrocinado por “lurdinhas” e “tedescos”, nomes dados aos conjuntos de guerra formados, respectivamente, pelas metralhadoras MG-42 e pelos alemães, seus portadores.

 

Sob fogo cerrado, contrariando o medo da morte e tomando a Pátria como norte, ao confronto nossos pracinhas não se fizeram indiferentes. Seguiram adiante, no conturbado e sinuoso campo de batalha, em direção ao fogo das metralhas. Com bravura, atiraram de forma hostil, mas estrategicamente, confundindo os alemães, que julgavam enfrentar um batalhão inteiro naquele remoto lugar.

 

Após abaterem 45 tedescos, Arlindo e os dois Geraldos viram-se cercados, com sua posição atacada por granadas e saraivadas incessantes de tiros. Nesse meio caótico, de intenso combate, sob o enfrentamento de força amplamente superior, receberam voz de rendição, a qual foi solenemente ignorada. Mantiveram o embate, dando de si o máximo, até ficarem sem qualquer munição.

 

Pelejaram até o derradeiro projetil disponível, o que não exauriu, dos três, o combustível motivador e a razão maior de estarem naquele lugar, que os moveu a continuar: o patriotismo. Contrariando todas as expectativas, heroicamente, calaram suas baionetas e seguiram contra o inimigo. Sob brutal desigualdade de forças, foram feridos mortalmente.

 

Sucumbiram diante de alemães atônitos, os quais julgavam estar combatendo um batalhão inteiro e não apenas três pracinhas, fato que relataram ao seu comandante, o qual, impressionado com a tão heroica atuação dos brasileiros, expositora de suas coragem, valentia, bravura e abnegação, que não se via igual em seus próprios guerreiros, tomou decisão que destoou da realidade daquela guerra cruel e sangrenta.

 

Em ato de respeito aos opositores abatidos naquela contenda, determinou que fossem eles acondicionados e enterrados à beira de uma estrada, como homens honrados, em vez de serem lançados em uma vala comum ou deixados ao léu, sem identificação ou reconhecimento.

 

Nos seus túmulos, ordenou o comandante alemão que três cruzes fossem cravadas, nas quais fez constar os dizeres “Drei Brasilianische Helden”, cuja tradução significa “Três Heróis Brasileiros”, para que eles e suas atuações fossem honrosamente registrados. A partir de então e para a eternidade, mundialmente; pelos seus; pela pátria; pelos do Eixo; e pela história da Guerra; assim ficaram conhecidos.

Com o fim da conflagração, seus restos foram trasladados para o cemitério de Pistoia, na Itália, e ali enterrados. Depois, para o Brasil, foram repatriados – onde receberam, post mortem e in memoriam, altas honrarias, como as Medalhas de Campanha; Sangue do Brasil; e Cruz de Combate – estando hoje na belíssima Rio de Janeiro, no Monumento Nacional aos Mortos na 2ª. Guerra Mundial, onde se juntaram a quase 500 outros heróis nacionais que deram suas vidas pelo bem de toda a humanidade.

 

Não viram cumprir-se a parte da música que entoavam no front, que dizia: “Por mais terras que eu percorra, não permita, Deus, que eu morra, sem que eu volte para lá”. Não puderam voltar para o seu Brasil querido. Por outro lado, o povo brasileiro pode ver realizado o restante da estrofe, ao presenciar o desembarque das tropas da FEB em solo nacional, trazendo como suas marcas o “V” que simbolizou a vitória dos Aliados e o emblema de uma cobra fumando, como resposta triunfal aos que maldosamente as criticaram, antes mesmo de sua saída para o teatro de guerra.

 

FLÁVIO NORONHA

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