Por mais de duzentos anos, sem ser província, no período colonial,
São Salvador da Bahia de Todos os Santos, foi, do Brasil, a capital.
Em mil, setecentos e sessenta e três, viu-se sucedida pela cidade maravilhosa,
São Sebastião do Rio de Janeiro, vizinha de tantas riquezas das Minas Gerais,
De todo seu tesouro, e também dos de Mato Grosso e do estado de Goiás.
Mudou-se para controlar a produção e o fluxo de ouro e pedras preciosas,
Para mais lucrar a Coroa Portuguesa, sem extravios,
Abarrotando de impostos e minerais, seus navios.
Mas, a ideia, naqueles antigos tempos,
Era de promover mudança nos ventos,
Afastando-se, do vasto mar, o centro do poder,
Para, no interior da colônia, este se estabelecer.
São João Del Rey e Paracatu disputavam a preferência
Com a goiana Formosa. Todas, interioranas por essência.
Paracatu levava vantagem, em razão do apoio de Sua Excelência,
José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência.
Muito tempo passou e a ideia de mudar se consolidou; amadureceu.
Até que a Constituição de mil oitocentos e noventa e um, estabeleceu
A demarcação de área de quatorze mil e quatrocentos kilômetros quadrados,
Para receber a nova capital, nos termos, sonhos e planos, há tanto, desejados.
Formou-se a Comissão Exploradora do Planalto Central,
Pelo Presidente Floriano Peixoto – valorosa atitude inicial.
Liderada por um belga – engenheiro, geógrafo e astrônomo –
Detentor de liberdade para exercitar comando autônomo,
Vinte e duas pessoas, estes quatorze mil quilômetros percorreram,
Desincumbindo-se da missão que honrosamente receberam:
De demarcar a área do futuro Distrito Federal,
Apontando a que considerariam como ideal.
Louis Ferdinand Cruls registrou tudo o que viu:
Fauna, flora e hábitos dos interioranos do Brasil,
Apresentando ao Presidente o quadrilátero que demarcou,
Resultado brilhante da missão que tão bem desempenhou.
Mais de cinquenta anos depois, o projeto foi retomado.
Getúlio Vargas convocou militar reto, austero e renomado,
Para que promovesse altos estudos para a implementação
Da nova capital, o qual aceitou a missão, sem hesitação.
O Marechal José Pessoa, ao lado de mais cem voluntários,
Todos sem remuneração, com afazeres certos e temporários,
Cumpriu a missão de localizar a nova metrópole. E, foi além:
Planejou a construção e a mudança da capital. Ele e os cem…
Sobre tão proeminente, detalhado e cuidadoso trabalho,
Que serviu ao novo Presidente como um valoroso atalho,
Debruçaram-se, atentos, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa,
Visando tornar realidade o que, até então, era uma aposta.
JK foi a locomotiva impulsionada por determinação,
Vontade política, esforço hercúleo e incontida visão,
Que finalmente trouxe a capital para o interior do Brasil,
Promovendo desenvolvimento da forma como bem previu.
SOBRE O QUADRILÁTERO …
… drenado por quatro rios importantes
Que no seu chão deixam suas indeléveis marcas cortantes,
Como o Descoberto e o São Bartolomeu, da Bacia do Paraná;
O Rio Preto, representante da Bacia do São Francisco;
E o Maranhão, que, da Bacia do Tocantins, faz seu risco.
Provedores das águas que tanta vida dão a esse mágico lugar;
… de terra composta por cerrado – mais do que noventa por cento do total;
Postada em uma das localizações mais elevadas do amplo Planalto Central;
Na “Faixa de Dobramentos de Brasília”, de porção centro-sul nomeada;
Das rochas dos Grupos Bambuí, Paranoá, Araxá, além das do Canastra;
De clima tropical de savana e temperado chuvoso de inverno seco,
Que alterna duas estações bem definidas: uma úmida e outra seca…
… morada histórica do gavião-real, do tatu-galinha e do lobo-guará;
Da jaguatirica, do veado-campeiro, da queixada e do gato-maracajá;
Do gavião-carijó, do tamanduá-bandeira, do jabuti-piranga;
Do rato-calunga, da onça-pintada, do coati e do jacaré-tinga;
Do sapo-cururu, da jiboia, da jararaca;
Do sanhaço, do beija-flor e da maritaca.
Cujas “mesas” são servidas
Por refeições bem sortidas:
Pindaíba, munguba, baru, guabiroba e araçá,
Sucupira, cajuzinho, mangaba, buriti e jatobá;
Mutamba, coquinho, pitomba, e pequi;
Cagaita, araticum, jenipapo e murici;
E adornadas por flores de belezas hipnotizantes,
Presentes continuamente, em épocas alternantes;
Como a canela-de-ema, o flamboyant, o pau-terra e a caliandra;
A Para-tudo, o chuveirinho, a lobeira, a cagaita e a mamonarana;
Os ipês mirim, amarelo, rosa, branco, roxo e tabaco;
As orquídeas, o algodão-do-cerrado e o cega-machado;
E DIANTE DESSE ESPLÊNDIDO CONTEXTO…
… bem plantados, nasceram e floresceram,
Deram frutos e, desde então, só cresceram,
Respectivamente, em vinte e cinco e vinte e um de abril,
O Comando Militar de Brasília e a Nova Capital do Brasil!
Estes dias, no ano de mil, novecentos e sessenta, para sempre marcaram
O início, o prelúdio, de belíssimas histórias de vida e exemplos que
deflagraram.
Hoje, sessenta e um anos alcançados,
Brasília e CMP, sólidos e experimentados,
Merecem todas as homenagens e reconhecimento,
Pelo que se tornaram, no todo e a cada momento.
A maior cidade construída no mundo no século vinte,
Segue plena, pronta, crescente e metropolitana,
Como a terceira mais populosa do país, com requinte.
Prova literalmente concreta do acerto de Floriano.
Traçado todo este panorama, apregoado como fala de arauto,
É hora de ressaltar a especial trajetória
Do personagem principal desta história:
O emblemático filho de Brasília, o Comando Militar do Planalto.
A década de mil novecentos e cinquenta findava
E a inauguração de Brasília, rápido, se aproximava.
Urgia que se dotasse a nova Capital de segurança e de defesa,
Missão que o Exército desempenharia com expertise e destreza.
Mil novecentos e cinquenta e oito viu, próximo ao Alvorada,
O soerguer-se de um aquartelamento de madeira tratada:
Era o embrião da primeira Organização Militar do Exército Brasileiro
A produzir raízes no novo Distrito Federal – orgulho de um povo inteiro.
Dois anos de intensos trabalhos marcaram o seu amadurecimento.
Culminando, em mil novecentos e sessenta, com o seu nascimento.
Vinte e cinco de abril traria a Brasília dois inestimáveis presentes,
O novel Comando Militar de Brasília e a Décima Primeira Região Militar,
Provedores do DF, Goiás e Triângulo Mineiro, de grande contingente,
Cabendo ao General-de-Brigada Mário Poppe Figueiredo, a ambos comandar.
Extinto em meados do ano de mil novecentos e sessenta e sete –
estrategicamente, o que é certo –
Por Decreto Presidencial, que remeteu a Décima Primeira RM ao comando do
Primeiro Exército,
Menos de dois anos depois, renasceu, de forma bem estruturada e grandiosa.
Foi designado Comando Militar do Planalto e 11ª. RM, com missão honrosa.
A Constituição de mil novecentos e oitenta e oito dividiu Goiás em dois.
A Carta Magna incluiu o novo estado no norte do País, e lá o dispôs…
O CMP manteve o novo estado sob sua jurisdição, competência e comando,
Afora o “Bico do Papagaio”, o qual, pelo Comando da Amazônia, foi agregado.
Mil novecentos e noventa e quatro promoveu autonomia à 11ª Região Militar,
Desmembrando-a do CMP, o que se manteve até os dias atuais. Decisão
salutar.
Por vinte dias exatos, em julho de dois mil e treze contados,
O CMP e a Décima Primeira RM assumiram o comando sobre todo o estado do
Tocantins,
Desde Alvorada, passando por Gurupi, Araguaína e o Bico do Papagaio, região
de Araguatins.
Com a implantação do Comando Militar do Norte,
Esta região foi, por este, definitivamente resgatada,
Visando à implementação de proteção integrada,
O que o tornou mais abrangente, completo e forte.
Semeador incansável de amor e progresso,
O CMP, sentinela da paz, altaneiro,
Esteio assegurador da Pátria ao sucesso,
Agregador, condutor, firme timoneiro,
Norteia quatro grandes comandos,
Ao serviço patriótico conclamando:
A Região Ten-Cel. Luiz Cruls; a Brigada Visconde de Porto Seguro;
E os Comandos Operacional e de Artilharia do Exército; ouro puro…
Quanto a eles, importa destacar suas belas histórias e missões,
Eis que se complementam, com distintas e especiais vocações.
Com sessenta e um anos fazendo a diferença e vencendo desafios,
A 11ª. RM acompanha Brasília desde os seus primeiros dias.
A Região Tenente-Coronel Luiz Cruls, como é chamada,
Referência a notável expedicionário de especial cruzada,
Homenageia o engenheiro, amante da astronomia e da geografia,
Escolhido por Floriano Peixoto para liderar missão que demarcaria
A área onde se estabeleceria o Distrito Federal,
Que receberia a cidade de Brasília, a nova capital:
Louis Ferdinand Cruls.
A prestação de apoio logístico, administrativo e territorial
É sua principal missão, tendo a perfeição como referencial.
Supre 41 Organizações Militares, em três estados brasileiros:
Distrito Federal, Goiás, parte do Tocantins e Triângulo Mineiro.
Criada para guarnecer as costas nordestinas brasileiras na Segunda
Guerra Mundial,
Papel que desempenhou brilhantemente, de Salvador a Fortaleza,
incluindo a cidade de Natal,
Atuou em coadjuvância habilmente prevista e arquitetada
Com as forças armadas norte-americanas.
A Terceira Brigada de Infantaria, à época, assim denominada,
Dissuadiu o Eixo de atitudes insanas.
Além de relevantes serviços ao Brasil,
Ao mundo, igualmente, já bem serviu.
Angola, na África, e o Haiti, no Caribe, alcançou.
Vivenciou o nascer de sementes que ali lançou.
No ano de 2004,
Em solene ato
Tornou-se “Brigada Visconde de Porto Seguro”,
– Em lembrança a homem de foco no futuro,
Francisco Adolfo de Varnhagen,
Visionário que fixou-se à imagem
De defensor entusiasta e pioneiro,
Da mudança da Capital Federal
Para o Planalto Central Brasileiro,
Desejo que não viu tornar-se real.
O cultivo de valores militares voltados ao patriotismo;
A fé no Exército, o amor à profissão e ao civismo;
O espírito de corpo e o aprimoramento profissional;
São premissas dessa Brigada, de relevância nacional.
O paradigmático Comando de Operações Especiais,
Profundo conhecedor das diversidades regionais;
Postado em Goiânia, estado de Goiás, é um Comando descomunal.
Integra a Força de Ação Rápida Estratégica do Exército Nacional.
Pronto para atuar em todos os comandos militares de área do Brasil,
Com unidades versáteis de apoio e de variadas intervenções especiais;
E de comandos de operações psicológicas e de forças excepcionais;
Mantém elevados níveis de treinamento, o que delineia o seu raro perfil.
A infiltração operacional por terra, mar ou ar, é sua expertise.
Domina viaturas, embarcações, aeronaves e o que mais precise.
Seu porte é absoluto e único em toda a América Latina.
Atua no Brasil e mundo afora. Versatilidade é a sua sina.
Já fez-se presente no distante Haiti, pela MINUSTAH,
E nas favelas do Rio, visando, ao ambiente, pacificar.
A Nação Brasileira, território de lindo céu anil,
Orgulha-se do brado: Comandos! Força! Brasil!
Formosa, no estado de Goiás, é a recebedora de Comando de vanguarda:
Artilharia Divisionária Marechal Gastão de Orleans, é o seu nome.
O Conde d'Eu, herói na Guerra do Paraguai, guerreiro de renome.
Pela sua artilharia tática, com mísseis e foguetes, é, do País, salvaguarda.
Ao Forte Santa Bárbara,
Um brado de alvíssaras!
Um dos oito Comandos de Área do Exército Brasileiro, o Comando Militar do
Planalto
Tem, na garantia da Soberania Nacional, dentre suas nobres missões, o ponto
alto.
É contributor da Força, também, na manutenção da Lei e da Ordem.
E dos Poderes Constitucionais, para que, em união, se as preservem.
Busca, finalisticamente, o sólido desenvolvimento nacional,
A implementação da paz, da harmonia e do bem estar social.
Promove, precisamente, a supervisão, o planejamento e a coordenação
Do preparo e do emprego de suas OM, tornando-as aptas para a ação,
Além de controlar as atividades de guarda, segurança e cerimonial militar,
Junto à Presidência da República e ao Exército, o que faz com perícia
exemplar.
Somando-se a tudo, está sua prontidão para funcionar em operações
internacionais,
O que fortalece a imagem da Força e a engrandece, com legados
excepcionais.
Com atitudes de pacificação e labor,
Destreza, persistência, força e vigor;
É expressão máxima e patente de valor nacional,
De contribuição forte, sui generis, e descomunal.
É o marco indelével do herói pioneiro,
No árido Planalto Central Brasileiro.
Parabéns Brasília, realização do que 272 anos atrás
Surgiu da pena de Francesco Tosi Colombina como ideal!
Por JK, de verbo em concreto, feita a nova Capital Federal,
Ponto convergente de ilimitações e de prosperidade que produz.
Parabéns Comando Militar do Planalto,
Expressão de valor nacional!
Teu porvir já se vê no presente,
No visor do Planalto Central.
Parabéns Forte Santa Bárbara, pela performance
Dos mísseis e foguetes dissuasórios, de longo alcance!
Parabéns aos incomparáveis Comandos Especiais,
Logradouro da elite, força e versatilidade sem iguais!
Parabéns Décima-Primeira Região Militar, fruto da Nova Capital,
Pelos desafios vencidos e pelas vitórias no desbravar o Planalto Central!
Parabéns Organizações Militares direta e indiretamente ao CMP vinculadas,
Pelo brilho no desenlace de seus deveres e pelo amplo sucesso nas
empreitadas!
Parabéns Exército Brasileiro, orgulho de toda a Nação;
Paradigma de conduta, de honradez, de ética e de correção!
Parabéns fiéis soldados,
Pela Pátria tão amados,
Combatentes intimoratos,
Pacificadores dedicados!
BRASIL ACIMA DE TUDO!
Flávio Noronha



