MARVADA PINGA

Por: Redação SOS

Conhecida simpaticamente como birita; aço; branquinha;
Abrideira; manguaça; goró, brasa, dengosa e até caninha;
Muitos chamam a cachaça pela afável alcunha de “Marvada”.
Especialmente pelos que a apreciam de maneira exagerada.

Esta cordialidade em nomeá-la é um paradoxo perigoso
Já que esconde sofrimentos por trás de um trago gostoso.
Sobre tal “mardade” é importante algumas mensagens passar.
Recados fortes, diretos e atuais, que não são de se desprezar.

Tome todos os cuidados possíveis que se devem ter
Com a “terebintina” e com seus golinhos de prazer.
Ela destrói relações diversas e, na família, provoca desunião.
É perigosa pura; com mel; ou na versão “caipirinha de limão”.

Chamá-la de “marvada” parece um tentador desafio
Que provoca o incauto a mostrar o seu copo vazio
P´ra passar a impressão,
O que é uma enganação,
De que aguentar a bebedeira
É sinal de força sobremaneira
Ou, até, de banal brincadeira.
Nessas horas há amigos por todos os lados,
Incentivando as viradas em bons bocados.

A “calibrina” dá coragem aos inibidos e medrosos;
Enche os seus peitos de razão e de pura valentia;
Faz com que pensem que são mesmo poderosos
E que, no mundo, são os que têm mais alegria.

Desenfreados, falam de temas que ninguém merece escutar.
Fazem muitas besteiras – sem vergonha – em qualquer lugar.
Com o “veneno” na cabeça eles se acham sabichões e doutores.
Sobre qualquer assunto atrevem-se a discorrer como professores.
Nos debates, sobrepõem-se “no grito”.
Parecem todos uns “doidos varridos”.

Conta a lenda que existem três fases pelas quais passam os beberrões:
As do macaco, do leão e do porco. O grau da “cana” define as posições.
A fase do primata os deixam irrequietos, faladores e “engraçados”.
Fazem deles amigos dos inimigos e dos mendigos desamparados.

Bebem demasiadamente, sem pensar em parar.
Não têm noção do que a “uca” pode lhes causar.
Jamais se assumem embriagados.
Dizem sempre que estão centrados.
Enxergam até os mais feiosos como belos e atraentes.
Empenham-se em mostrarem-se como pretendentes.
Passam a acreditar que são invisíveis
E desandam a fazer bobagens incríveis.

Com a “venenosa” à mão e em profusão, aumenta a confusão.
Os “temulentos” macacos passam para a fase brava do leão.
A mulher vira macho e o macho, mais macho ainda.
Leão e leoa puxam briga e tiram os outros da linha.

Não pensam mais antes de falar e de agir.
Partem para a ofensa, sem sequer refletir.
Disparam a tagarelar um monte de “verdades”
Que vêm acompanhadas de muitas maldades.
Falam de perto, com a língua pesada e, em todos, cuspindo.
Tentar se afastar funciona mais como um ímã, os atraindo.

Os “mamados” não têm medo de nada e de ninguém.
Não receiam consequências, nem reações que advêm.
Nesses momentos fazem inimigos e minam boas relações.
Criam discórdia até com os que consideram como irmãos.

E esta história ainda não acabou. Há muito sobre o “ébrio” a falar.
Os macaquinhos engraçados que se tornaram leões ameaçadores,
Com mais “aço” na cabeça, passam a estranhamente se comportar.
Quietos e meditabundos, para antigos amores, disparam a telefonar.

Em outro animal a “aguardente” os transformou.
Novo bicho se revela. Suas atitudes ela alterou.
O estômago sofre um revertério; tudo à volta se embaça e começa a girar.
Eles caem; levantam-se; caem de novo; parece que o mundo vai acabar.
De olhos vidrados, parece que vão desmaiar.
Curvam seus corpos e começam a vomitar.
“Chamam o “juca”, o “hugo” e o “raul” no primeiro lugar que der:
Em cima dos outros; na mesa; nas roupas e até nos próprios pés.
Tornaram-se “borracholas” emporcalhados.
Pelo “cobertor de pobre” foram dominados.

De repente, do nada, vêm às suas mentes, músicas de “sofrência”.
Lágrimas escorrem aos borbotões; lembram-se das contar a pagar.
Destampam a reclamar da vida e de tudo o que se pode imaginar;
Lamentam sobre episódios do passado e maldizem a existência.
Insistem em que não estão bêbados de jeito nenhum;
Acendem um pito e dizem que aquele é o último “maldito” que fumarão;
Que odeiam o emprego que têm – porque é comum –
Que na segunda vão pedir as contas e outro, bem melhor, conseguirão.
Não param de beber e só saem da festa carregados;
Além de sujos, indóceis e quase sempre, “molhados”…

No ápice da ressaca que os atormentam
E que, impiedosamente, os maltratam,
A família pede que se esmerem em uma satisfação.
Eles dizem que não se lembram de “quase nada não”.
Mas que, como atitude de precaução,
Até para evitar mais tumulto e confusão,
Na vida, certamente, nunca mais vão pensar em beber

  • Promessa que não perdura até o próximo sol-nascer.

Na verdade, eles sabem que o pior mal-estar é o de ordem moral
Provocado pelo vexame; por terem se comportamento muito mal.
O trabalho é imenso para consertar os infelizes estragos
Que fizeram na família, nas amizades e nos conhecidos.
Mesmo assumindo e mostrando que estão arrependidos,
Pode ser que desses todos não recebam mais bons afagos.

Quando se chega a esse ponto tão alto,
Passou da hora de se afastar do álcool.
Do contrário, é possível que os “esponjas”, de si, deixem de ser donos
Passando a viver sem um norte; alheios à realidade; em abandono;
Que é o triste fim de uma vida definitivamente dominada
Por essa “muamba” cruel e, verdadeiramente, “marvada”.
Que fique a lição de que essa dominação começa com brincadeiras;
Com as macaquices e com os “micos” que os primeiros goles causam;
Com os tropeços; e com as dormidas nas mesas, que a todos avisam
De que o “engasga-gato” pode mudar os destinos de vida inteiras…

Quantas desgraças são causadas pela perigosa “marvada”.
Não compensa o preço a pagar pela “birita” tão desejada.
Ela tira do “avinhado” a paz; a família; o trabalho e a animação;
Faz dele motivo de chacota; de desrespeito; e o mantém no chão.

Portanto, vale aqui repetir:

Tome todos os cuidados que se devem ter
Com a “marvada” e seus goles de “prazer”!
Quando o sol te parecer meio ausente,
É porque ela está te deixando doente…

Mostre que és homem ou mulher de verdade,
Não entregando a ela sua vida e sua liberdade.
Se já lhe faltarem forças, procure ajuda de quem te ama,
Nada vale a troca exigida por esse vil prazer que te chama.

Provavelmente, os “amigos” que te incentivaram a beber
Não estarão à sua volta para ajudar. Eles irão desaparecer…
Tente, incansavelmente, a todos os obstáculos ultrapassar.
Busque forças em Deus e nos seus p’ra conseguir mudar…

Volte sinceramente para o céu a sua fronte.
Peça a Ele que novidade de rumo te aponte.

Depois, …

Grite bem alto: Viva a vida!
Para que o sol volte a brilhar em sua alma, reluzente.
Dê as mãos à família querida.
Resgate sua paz; seu norte e siga sempre em frente!

FLÁVIO NORONHA

03-08-2020

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