Regimento Coronel Rabelo: 39 anos de bela história

Por: Redação SOS
O dia 23 de junho de 1982 marcou a criação do Regimento de Polícia Montada do Distrito Federal, por meio do Decreto 6.828, de lavra do então Governador Aimé Alcebíades Silveira Lamaison, dando início a belíssima história dos cavalarianos da Capital do Brasil.

Tal ato consolidou o que foi idealizado no ano de 1979 pelo então comandante-geral da PMDF, o coronel de cavalaria do Exército Francisco Rabelo Leite Neto, com início de implementação em 1980, quando um grupo de oficiais e praças foi enviado para estágio no 1º Regimento de Cavalaria de Guardas do Exército Brasileiro.

Com a experiência angariada, essa incursão tornou possível a criação do Núcleo do Regimento de Cavalaria Coronel Francisco Rabelo Leite Neto, subordinado ao 2º. Batalhão de Polícia Militar do DF, o que se deu pela pena do então novo comandante-geral, o Cel Egêo Corrêa de Oliveira Freitas, haja vista o precoce falecimento do seu idealizador, o que motivou o batismo com o seu nome, como póstuma homenagem.

Ainda naquele ano, no mês de agosto, o Núcleo receberia um grupo de 80 imponentes cavalos para a formação de seu plantel hipo, todos oriundos do Rio Grande do Sul, o qual deflagrou, oficialmente, no mês de dezembro, os emblemáticos trabalhos de policiamento ostensivo montado na Capital Federal.

O ano de 1999 conferiu ao Regimento, por ato do então Governador Joaquim Domingos Roriz, a denominação histórica de Regimento Coronel Rabelo, como ato confirmatório de merecida homenagem ao seu Comandante Pioneiro.

Dezoito anos após, criou-se o Comando de Policiamento Montado, abrangente dos 1º. e 2º. Regimentos de Polícia Montada, tendo o 2º. Regimento sido denominado como Regimento Gen Egêo, e do Centro de Medicina Veterinária, este desenvolvedor de projetos sociais relacionados à equoterapia, escolinha de equitação e grupo de escoteiros.

Por força de novo decreto governamental o ano de 2020 trouxe a unificação dos dois Regimentos, mantendo-se a denominação histórica de Regimento Coronel Rabelo para o resultado desta nova configuração.



A “Arma Ligeira” e “Estrela Guia”, como é chamada a Cavalaria - força terrestre imponente e notável, que transpõe os montes, pelo caminho da luta e da vitória – cujos patronos são o Marechal Osório e o Coronel Rabelo, é reconhecida como a mais móvel de todas as armas e a segunda mais antiga na história das guerras, sendo precedida apenas pela Infantaria.

 Apesar de pouco utilizada pelas Forças de Segurança da atualidade - as quais substituíram os animais por máquinas de combate motorizadas, com alto poder de fogo - a Polícia Militar do Distrito Federal constitui honrosa exceção a essa realidade mundial, eis que atua com efetividade no dia a dia do cidadão brasiliense, tendo demonstrado sua eficiência, de precisão cirúrgica, no impedimento e na dissuasão de manifestações, potencial ou realmente violentas, mantendo a ordem pública.

Quantas vezes os cidadãos brasilienses são impactados psicologicamente ao depararem com conjuntos de cavalaria transitando pelo centro da cidade, em meio a carros, a vias movimentadas e a palácios dos Poderes da República, situação que imediatamente irradia a sensação de segurança, diante da visão da imagem quase que medieval dos cavalarianos com suas armaduras modernas, cujos imponentes cavalos mansamente desfilam a exuberância de suas presenças, não deixando dúvidas de que estão prontos para fazer o que bem sabem: manobrar com agilidade; surpreender pela ligeireza; multiplicar forças; “eis que a cavalhada, numa avançada, ousada e forte, não teme a morte. Os corcéis sabem que a glória só se conquista com a vitória no revés” (Texto adaptado sobre o do “Dobrado Saudade da Minha Terra, do 1º. Sgt. Luiz Evaristo Bastos, 1893).

A sabedoria popular, aliada à de grandes pensadores, como William Shakespeare e Ronald Duncan, em seus versos aqui parafraseados, retrata o cavalo como grande amigo do homem, ao defini-lo como “criatura sem igual, poesia em movimento, que voa sem possuir asas e que conquista sem empunhar espadas, nos emprestando a força e a liberdade que não temos. Ele é tão importante para o homem, quanto as asas para os pássaros...”.

Aprender sobre o cavalo - fruto dos ancestrais Eohippus e Equus - essa figura nobre, porém, sem arrogância; amiga, mas, desprovida de inveja; bela, contudo, sem vaidade; leal, sem pedir contrapartidas; e determinada, em qualquer circunstância; faz-nos voltar aos tempos da Grécia Antiga, nos quais surgiu o mito do centauro - fruto do melhor dos sonhos filosóficos de seus pensadores - que juntou a inteligência humana ao vigor físico e a tantas outras qualidades dos cavalos, atingindo o que se desenhou como o guerreiro perfeito.

Neste 23 de junho de 2021 comemoram-se 39 anos de criação bem sucedida da briosa Cavalaria da Polícia Militar do Distrito Federal, longevidade e eficiência alcançadas pela aplicação de fórmula que mescla o exercício do dever policial com a humanidade dos cavaleiros do Regimento Rabelo e a força - com inteligência - de seus inseparáveis amigos, os cavalos.

No ensejo deste momento especial, o ex-comandante do Regimento Cel Rabelo e primeiro comandante do Comando de Policiamento Montado do Distrito Federal, o Cel QOPM RR Fernando D’Austria e Caravellas Filho – Corcel 03; Escorpião 280; Montanha 13781 – presenteia Brasília e o RPMon, na pessoa do seu atual comandante, o Ten Cel Leonardo Siqueira, com livro de sua autoria e não comercializável, denominado “40 Anos - A História de Um Sonho”, no qual conta a saga dessa magnífica corporação, de forma simples, completa e emocionante, mostrando que ali é o abrigo de bravos que carregam o coração do leão e o penetrante olhar da águia.


À Carga!


Por FLÁVIO NORONHA

 

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